POEMA

ELÉCTRICO
(XLII)


E se eu de súbito gritasse
nesta voz de lágrimas sem face!:

- Eh! companheiros da plataforma
presos ao apagar do mesmo pavio!
Porque não nos amamos uns aos outros
e damos as mãos
- sim, as nossas mãos
onde apodrecem aranhas de bafio?

Eh! companheiros da plataforma!
(Não empurrem, Irmãos.)

José Gomes Ferreira

9 comentários:

Anónimo disse...

Gostei bastante de ler... è muito bonito!!!
Afonso Adão

samuel disse...

E porque cargas de água andará o Zé Gomes tão esquecido?
Não aqui, claro, mas como quase sempre, que apanha com os "recados" é quem afinal não merece...
Gosto muito do José Gomes Ferreira!

Abraço

Sal disse...

José Gomes Ferreira continua a "acordar" as consciências, acreditem.
Obrigada pela lembrança, Fernando Samuel.

beijinhos

Fernando Samuel disse...

Afonso Adão: obrigado pela visita.
Um abraço.

samuel: nestes tempos que vivemso os esquecimentos são muito selectivos...
Um abraço.

sal: «acordai, homens que dormis...»
Um beijo.

poesianopopular disse...

Já na altura em que o José Gomes Ferreira vivia, a unidade era tal como hoje necessária, para que uma frente unida fizesse com sucesso obstrução, ao capitaismo, a forma apelativa do escritor, é de um grande sentido político.
Abraço
José Manangão

Justine disse...

Os gritos do Zé Gomes Ferreira têm de continuar a ouvir-se, são cada vez mais precisos.
E que bela, clara, brilhante é a sua poesia!
A ti, amigo divulgador.obrigada.

beta disse...

Sabem com que idade aprendi este poema? Com 14 anos! Quando a poesia portuguesa que se ensinava nas escolas, ía muita para além de Fernando Pessoa e Bocage.
Gosto de saber que este poema continua a entusiasmar.E que o Zé Gomes Ferreira continua actualissimo. Obrigado por o passares, camarada.
Um abraço.
Beta

Antuã disse...

Resistir é já um acto heróico cujo caminho leva mais tarde ou mais cedo ao Socialismo. Depende da nossa capacidade de esclarecer o trande motor da Revolução o operariado.

Fernando Samuel disse...

josé manangão: o sentido político-poético de um grande comunista e um grande poeta.
Abraço.

justine: bela, clara e brilhante: é isso!
Um beijo.

beta: actualíssimo, apesar de escrito nos anos quarenta...
Um beijo.

antuã: em certos momentos, resistir é já avançar - por vezes é, mesmo, avançar muito.
Um abraço.