Os média dominantes - propriedade que são do grande capital - cumprem exemplarmente o seu papel de difusores da ideologia capitalista - e, portanto, da ofensiva ideológica anticomunista.
Todos os dias, em todo o mundo, milhões e milhões de cidadãos absorvem o discurso único dessa ideologia, difundido nos noticiários, nos comentários, nas análises, nos artigos de opinião, nos debates, fóruns e mesas redondas, nos programas de entretenimento, na publicidade - para além de ser tema prioritário de ensino em todas as escolas...
A difusão exaustiva e massiva desse discurso único, alimenta, molda e formata o pensamento e o conhecimento da imensa maioria das pessoas.
O cidadão informado por esses média, toma como suas as opiniões que lhe vão sendo injectadas e passa a ser um difusor dessa informação.
Assim, a opinião muitas vezes publicada transforma-se em opinião pública.
Todos os dias vemos exemplos disso - aqui na blogosfera, por exemplo e para não irmos mais longe.
Basta fazer uma visita às caixas de comentários de meia dúzia de blogs de esquerda e logo deparamos com uns quantos comentadores que repetem textualmente as opiniões veiculadas pelos média dominantes como se fossem opiniões deles próprios - e, sobretudo, como se fossem verdades absolutas, incontestadas e incontestáveis.
A identificação de «comunismo» com «crime» é a linha mestra da ofensiva ideológica em curso, iniciada há mais de 160 anos, quando Marx e Engels publicaram o Manifesto do Partido Comunista - obra que, por razões óbvias, fez tremer o grande capital da época.
Foi nessa altura que, pela primeira vez, foi lançada a tal identificação: os comunistas são, dizia a propaganda capitalista, seres «horrendos» e «brutais» que «matam os velhinhos» e «comem as criancinhas» - ideia que, até aos dias de hoje, continua a fazer parte do arsenal propagandístico do anticomunismo.
Naturalmente, de então para cá essa identificação foi assumindo formas diferenciadas, adaptando-se às necessidades de cada momento.
Nos tempos actuais, e após a derrota do socialismo, a operação de criminalização do comunismo e do ideal comunista assenta naquilo a que os propagandistas e estoriadores de serviço chamam os «crimes do comunismo» - que eles não hesitam em quantificar: «100 milhões de mortos».
Este número apareceu num livro de propaganda a que foi dado o título de «Livro Negro do Comunismo» - cujo coordenador foi um credenciado propagandista do anticomunismo, de seu nome Stéphane Courtois (por sinal ex-comunista...)
Courtois organizou esse livro ao serviço de uma daquelas fundações norte-americana que financiam o anticomunismo em todo o mundo - a Fundação Olin: por sinal a mesma que encomendou e pagou a Francis Fukuyama, a sua propaganda sobre «O Fim da História; por sinal, a mesma que financia uma revista de provocação anticomunista dirigida por Courtois, etc, etc...
Pegando nos números antes inventados pelo percursor da invenção dos «crimes» - Robert Conquest (por sinal também ex...) - Courtois traçou como objectivo, neste seu «Livro Negro», atingir os «100 milhões de mortos»...
E como não era difícil - já que tinha previamente assegurada a divulgação em todo o mundo do seu número como verdadeiro e incontestável - pronto, escreveu «100 milhões».
É certo que alguns dos colaboradores de Courtois no «Livro Negro» demarcaram-se publicamente das conclusões a que ele chegou, sublinhando, mesmo, a obsessão doentia de Courtois em atingir o número de «100 milhões - mas a demarcação não teve grande repercussão e a cifra, de tanto e tanto repetida, ficou...
E, hoje, milhões de pessoas têm isso como coisa certa e repetem o número em tudo quanto é sítio.
(aqui mesmo, no Cravo de Abril, vemos com frequência, em comentários, reflexos dessa conclusão inventada por Courtois - e, se repararem, sempre naquele tom de quem está a dar opiniões pessoais e de verdade autenticada)
Não é difícil desmontar os caminhos seguidos por esses estoriadores/propagandistas. Nem é difícil demonstrar e desmascarar o conteúdo e as falsidades que alimentam a sua propaganda.
O que é difícil - impossível, mesmo, na situação actual - é fazer chegar essa desmontagem, essa demonstração e esse desmascaramento, aos milhões de cidadãos que todos os dias, em todas as latitudes e longitudes, são submersos pelas vagas de desinformação organizada produzida por esses estoriadores/propagandistas e difundida pelos média propriedade do grande capital.
E, como é óbvio, tudo isto traz maiores dificuldades à nossa luta.
No entanto e apesar disso - e essa é que é a grande questão, e a que mais preocupa os pagadores desses propagandistas - a luta continua.
Sempre tendo o socialismo e o comunismo no horizonte.