POEMA

O BURGUÊS


A gravata de fibra como corda
amarrada à camisa mal suada
um estômago senil que só engorda
arrotando riqueza acumulada.

Uma espécie de polvo com açorda
de comida cem vezes mastigada
de cadeira de braços baixa e gorda
de cómoda com perna torneada.

Um baú de tolice. Uma chatice
com sorriso passado a purpurina
e olhos de pargo olhando de revés.

Para dizer quem é basta o que disse
é uma besta humana que rumina
é um filho da puta é um burguês.

José Carlos Ary dos Santos

5 comentários:

poesianopopular disse...

Belo soneto do Zé Carlos, foi um hábito que ele criou, chamar as coisas pelos nomes,era único!
Abraço
Manangão

samuel disse...

Grande Ary! Sempre "simpático"... :)

Fernando Samuel disse...

josé manangão: chamar as coisas pelos nomes e à maneira dele...
Abraço amigo

samuel: para esta gente sempre «simpatiquíssimo»...
Abraço amigo.

Fernando Samuel disse...

josé manangão: chamar as coisas pelos nomes e à maneira dele...
Abraço amigo

samuel: para esta gente sempre «simpatiquíssimo»...
Abraço amigo.

Antuã disse...

É mesmo chamar os bois pelos nomes. Tem piada que aprendi isto com os militantes do PS nas assembleias Gerais da ADFA nos tempos imediatamente após o 25 de Abril. Estão a adivinhar já naquele tempo quem é que eles queriam atacar?!...