A UNIÃO EUROPEIA DO GRANDE CAPITAL

As decisões ontem tomadas pelo Conselho para o Emprego e Política Social, mostram a verdadeira face da União Europeia do grande capital.
Constam do seguinte: a partir da aprovação de tais decisões pelo Parlamento Europeu, a semana de trabalho na UE, em vez das 48 horas, poderá ir até às 60 horas, nuns casos; até às 65 horas, noutros casos; e até às 78 horas, em «casos específicos».
A irem por diante estas medidas, estaríamos perante um retrocesso civizacional de monta.

É claro que nada disto surpreende: na verdade, tais decisões inserem-se na poderosa ofensiva em curso contra direitos dos trabalhadores, conquistados ao longo dos tempos, através de duras, difíceis e, muitas vezes, heróicas lutas.
Contudo, vale a pena reflectir um pouco sobre o conteúdo, as características e o significado dessa ofensiva.

Trata-se de uma operação global, de classe e - aspecto importante e que lhe confere especificidade particular- desencadeada nestes moldes após o desaparecimento da União Soviética.
Com efeito, o fim da URSS, pondo termo à primeira tentativa de construção de uma sociedade sem exploradores nem explorados, provocou uma profunda alteração na correlação das forças, desfavorável aos trabalhadores - e o capitalismo internacional sentiu existirem condições para avançar contra os direitos dos trabalhadores.
Daí esta feroz cavalgada do grande capital visando liquidar todos os direitos laborais essenciais para, assim, acentuar e intensificar a exploração - e registe-se o facto, por demais significativo, de os alvos primeiros dessa ofensiva serem direitos que, na sua imensa maioria, foram conquistados na sequência da Revolução de Outubro.
Como é o caso da semana de 48 horas, uma das primeiras grandes conquistas dos trabalhadores russos, em 1917, e que cedo se estendeu aos trabalhadores de vários outros países da Europa.

9 comentários:

Aristides disse...

Os cenários não são os melhores, o futuro já não é o que era quando vivemos o sonho e ele esteve ali, tão perto, ao nosso alcance. O Capital não dorme, são imensas as suas capacidades de resistência e dissimulação. Mas não será fácil atingir os seus objectivos.Não podemos é desistir. Desistir é morrer!
Abraço camarada

zambujal disse...

É isso tudo.
É o recuo civilizacional que estamos a atravessar. E a lutar para inverter. Porque o caminho é só. Tem é curvas e marchas-atrás!

Fernando Samuel disse...

aristides: lutar, lutar sempre, com a consciência das enormes dificuldades e obstáculos que temos à nossa frente, e com a consciência da força de que dispomos - que é, afinal, a força do nosso ideal comunista.
Abraço grande.

zambujal: curvas, marchas-atrás, derrotas, inêxitos... e também a vitória que é nunca deixar de lutar...
Abraço grande.

samuel disse...

"uma das primeiras grandes conquistas dos trabalhadores russos..."

Essas são exactamente as piores!... Nem é preciso saber realmente o que são... basta consultar a "cédula de nascimento" para lhes perceber a "ruindade".

Abraço

Crixus disse...

O desaparecimento do primeiro pais dos trabalhadores escancarou as portas do processo de recuperação capitalista, que vinha sendo posto em pratica desde já algum tempo. A UE, com os varios nomes que teve, nunca foi muito mais que um mecanismo para ajudar nesse processo de recuperação capitalista (que fez com algum sucesso, diga-se de passagem). Os povos do Mundo enfrentam hoje este tipo de ataques, algo de impensavel há apenas alguns anos. A luta tem de continuar.

Antuã disse...

Tudo isto em nome da modernidade!... E nós que não vivemos os tempos imediatamente posteriores à idade média!... Será que eles param nos servos da gleba ou vão até ao esclavagismo?!... Estamos perante uma luta dura e prolongada a que não podemos voltar a cara.

Fernando Samuel disse...

samuel: são tão más que estas almas boas que nos governam só pensam em acabar com elas...

crixus: de facto, o essencial da ofensiva capitalista actual é uma consequência do fim da URSS. Mas se continuarmos a lutar venceremos.

antuã: termos a consciência das dificuldades que se opõem à nossa luta, é condição indispensável para a vitória - que, mais cedo ou mais tarde, alcançaremos.

GR disse...

Mas é tão complicado entender que já se cometeu os erros, porque estamos a passar?
Cada vez é mais difícil, os caminhos já não têm só curvas, há precipícios de grandes alturas. Há o abismo e a luta.
Tantos estão a cair, tornando a luta tão difícil de atingir.
Resta-nos a vontade de Lutar. Sempre!

GR

Fernando Samuel disse...

gr: curvas, precipícios... dificuldades muitas: e nós cá estamos para continuar a luta: sempre!