POEMA

UM RAIO DE SOL É A ESPERANÇA

Um raio de sol é a esperança
do prisioneiro, que passeia em silêncio
nas celas do subterrâneo;
um barco à vela o seu sonho;
as pancadas e gritos
que ecoam pelos muros,
o seu horror.
Se ninguém escrevesse tudo o que se sabe,
enchiam-se montanhas e montanhas
de justiças violadas,
dedos apontados, acusadores,
de violências e repressões organizadas.
Então talvez o mar atacasse a cidade
e as estradas ficariam cheias de lama, de sal,
e as verdades das nossas mãos afogariam,
assim se espera,
todos os carrascos.

Isidre Molas

5 comentários:

poesianopopular disse...

-E não sobrava tempo para afogar tantos carrascos!

Fausto disse...

Não tem nada a ver (será que não tem?) com o assunto do post, mas se os camaradas puderem passem por

http://www.aporrea.org/actualidad/n115740.html

Aí poderão assistir a um trecho impressionante das palavras proferidas, na sua visita à Venezuela, por Fernando Lugo (recém eleito presidente do Paraguai, numa dinâmica muito semelhante ao que já ocorreu na Venezuela primeiro e na Bolívia e Equador, depois).

Lugo, chamado de "bispo dos pobres" teve de enfrentar o Vaticano para poder encabeçar um movimento da esquerda que apeou do poder o partido tradicional da oligarquia paraguaia - o Partido Colorado.

ai estes submarinos... disse...

O Bloco e Sá Fernandes

A actual situação política na Câmara de Lisboa, com o vereador Sá Fernandes em divergência pública com o Bloco, sublinha a inoportunidade que foi a assinatura do Acordo, que, no fundamental, serviu para dar cobertura a António Costa, cujas políticas concretas nada têm a ver com o programa autárquico do Bloco. A defesa dos trabalhadores precários foi e é uma causa justa mas não é nem será suficiente para justificar que o conjunto do movimento se tenha descredibilizado na sua determinação de não pactuar com os poderes que, também a nível local, merecem a nossa oposição firme. A aprovação do Plano Verde é uma aposta na qualidade de vida dos lisboetas, mas de nada vale aos lisboetas terem melhores jardins e melhores espaços verdes, mesmo se em cada jardim e em cada espaço verde houver uma esplanada ou um quiosque, se a cidade continuar deserta, insegura, abandonada, envelhecida e socialmente injusta. Era de criar alternativas ao abandono, ao envelhecimento, à aposta numa cidade para ricos e outra cidade para pobres e à degradação, que o nosso programa, creio que, essencialmente, falava.
Do Acordo de Lisboa falta, a menos de um ano das autárquicas, cumprir quase tudo. As empresas municipalizadas que deveriam ter sido reestruturadas até ao final do ano continuam à espera do calendário do PS. A Frente Ribeirinha não se define e parece manter-se refém de acordos paralelos entre Judice e Costa.
Do programa eleitoral do Bloco falta muito mais. O Bloco abdicou, durante todo este ano, da sua agenda própria e foi deixando cair "bandeiras". A juntar às “bandeiras que caem”, o Bloco vai-se tendo que confrontar com opções políticas e ideológicas do Vereador com as quais não pode, sob pena de descaracterização e de descrédito total, pactuar. Definitivamente, o Bloco não se pode deixar conotar com políticas de privatização da gestão municipal e do espaço público que condena em todo o país. Definitivamente, o Bloco não pode continuar sem poder contar com o seu Vereador para pressionar Costa para agendar uma tão simples, e não mais que simbólica, proposta de geminação de Lisboa com Gaza.
A atitude dos dirigentes do Bloco, multiplicando-se em declarações à imprensa, em que se procuram distanciar de Sá Fernandes, mostra que se passou a assumir, publicamente, as divergências com o Vereador. Só que se passou a assumir essas divergências da pior forma. Optou-se pela insinuação em vez de pela transparência. Escolheu-se o talvez em vez do não ou do sim. As declarações públicas, não são resultado de discussão nem são tomadas de posição públicas dos orgãos eleitos e que tinham a obrigação política de o fazer: a Comissão Política cala-se e, em seu lugar, mas sem que os militantes saibam se, em seu nome, aparecem declarações, justificações, dúvidas, análises de desempenho, balanços, propostas de novos caminhos. O Bloco parece apostado em que seja o Vereador a bater com a porta. Só que se o Vereador bater com a porta, neste momento, é o Bloco que perde credibilidade. Sá Fernandes aparecerá a muitos eleitores como vitima de uma traição. O Bloco, não denunciando comportamentos e não assumindo claramente divergências com opções políticas do Vereador, que colidem com o nosso programa e com o próprio programa do Lisboa é Gente, aparecerá aos eleitores como um Partido que não sabe lidar com divergências de opinião e Costa, tal como no dia da assinatura do Acordo, saiará a rir-se de tudo isto.
Tal como aquando da sua assinatura, reitero aquela que tem sido sempre a minha posição: o BE tem que tomar uma posição clara em relação ao Acordo de Lisboa e à actuação de Sá Fernandes e não pode esperar até Dezembro para o fazer.
Até Dezembro quantas Praças das Flores surgirão pela cidade? Até Dezembro quanta comunicação social usará, à sua maneira, e aproveitará, conforme as conveniências do PS e de Sócrates, as divergências que não se assumem mas se deixam transparecer, para desacreditar o Bloco e para isolar Sá Fernandes?
Os presidentes das Juntas do PSD e do PCP que hostilizam Sá Fernandes; o PSD que apresenta, na AM, uma Moção de Censura ao Vereador ou o PCP que nela se abstém, não o fazem por criticarem, pela Esquerda, a privatização dos espaços públicos. O Bloco não pode, por receio de ser claro e que isso seja entendido como o reconhecimento de que este Acordo foi um erro, ou, pelo menos “não correu bem” ou por estratégia eleitoral, permitir que a posição critica em relação às opções políticas do Vereador seja confundida com a posição oportunista, vingativa e eleitoralista da oposição na CML e na Assembleia Municipal.

A um ano das Autárquicas, ou assumimos claramente as divergências políticas ou nos arriscamos a que os aderentees e os eleitores do Bloco vejam nelas oprtunismo político e deslealdade. Não vale a pena esperar que os eleitores entendam as entrelinhas. A política não vive nem sobrevive com entrelinhas. Muito menos se continuarmos a querer ser, também eticamente, diferentes daqueles a quem nos apresentamos como alternativa política.

Isabel Faria (membro da mesa nacional do BE)

samuel disse...

Então, talvez...

Justine disse...

A esperança, sim! O raio de sol que nos dá a força.
Belíssimo poema.