O INQUÉRITO DO COSTUME...

Veio a público, no Público de hoje, mais um caso exemplar dos métodos e práticas da política de direita executada ora pelo PP ora pelo PSD, numa alternância devastadora dos interesses de Portugal e dos Portugueses - política que, com os seus 32 anos de existência, tende a instituir em Portugal um regime de política única praticada por uma espécie de partido único bicéfalo...

Trata-se, neste caso, da mais que presumível mega-negociata relacionada com os custos e o processo de adjudicação do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) - que é um sistema de comunicações para as várias forças de segurança, serviços de informação, emergência médica e protecção civil.
Os custos da instalação desta rede de comunicações foram avaliados em cerca de 100 milhões de euros por um grupo de trabalho constituído para o efeito e presidido por Almiro de Oliveira.
A adjudicação da obra foi feita pelo então ministro da Administração Interna, Daniel Sanches (Governo Santana Lopes), a um consórcio liderado pela Sociedade Lusa de Negócios (SLN) - isto numa altura em que o Governo de Santana Lopes se encontrava já em regime de gestão corrente e a três dias das eleições legislativas...
Acresce que a adjudicação foi feita, não pelos 100 milhões de euros avaliados pelo grupo de trabalho de Almiro de Oliveira, mas por 538, 2 milhões!

Posteriormente, após intervenção do então ministro da Administração Interna de José Sócrates, António Costa, a Procuradoria-Geral da República «decretou nula a adjudicação feita por Sanches».
Todavia, o ministro António Costa, podendo, se quisesse, «não adjudicar o sistema à SLN, preferiu renegociar o contrato», baixando-o para aquele que viria a ser o seu custo final: 485, 5 milhões de euros: quase cinco vezes o custo previsto - e a que há que acrescentar, já agora, os custos do estudo, deitado para o caixote do lixo, feito pelo grupo de trabalho de Almiro de oliveira...

A adjudicação levantou natural polémica, também pelo facto, não dispiciendo..., de Daniel Sanches ter no seu vastíssimo currículo o desempenho de elevadas funções no grupo a que pertence a Sociedade Lusa Negócios, vencedora do concurso...
E o Ministério Público abriu um inquérito baseado em «suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio» - isto é, o inquérito do costume...
Curiosamente, diz-nos o Público, nem Almiro de Oliveira nem nenhum dos outros membros do grupo de trabalho por ele presidido, foram ouvidos no referido inquérito... e «ninguém deu importância» ao relatório final produzido pelo grupo de trabalho - o tal que avaliava os custos da obra em 100 milhões de euros...
Assim, e como era previsível, o inquérito acabaria por ser arquivado em Março passado, concluindo o MP, entre outras coisas, não haver qualquer ligação entre os diversos cargos de Daniel Sanches no grupo da SLN e a adjudicação da obra, no valor de 485, 5 milhões de euros, a esta empresa...
Pronto.
Pois...

8 comentários:

samuel disse...

Ah, bom! Lá pelo meio do post chegaste a assustar-me... "Não querem lá ver?..."
Assim fico muito mais descansado.

Maria disse...

Neste momento exacto estou a ver/ouvir uma reportagem sobre este assunto na tvi...

Pois...

Um beijo

Antuã disse...

pois é assim com esta gente.

GR disse...

Como a Maria, também vi um trabalho, de grande pesquisa na TVI.
O assunto é gravíssimo, Tráfego de Influência.
Um escândalo. Os portugueses deviam de levar os culpados à barra do tribunal
O povo sofre e em segredo passa fome.
Os jovens já não têm dinheiro para pagar as casas, nem esperança de arranjar emprego.
O povo está desesperado!
Impossível este caso (mais um)ficar esquecido.

GR

sousa disse...

alem dos custos este sistema é tão bom que pode ser controlado por um só administrador de sistema (um radio e um pc)será o siresp sistema único assim tão bom?
na duvida serei paranóico? quiçá a modos da mania da perseguição.
um abraço BOM 5 DE JUNHO

Antonio Lains Galamba disse...

eles tratam tudo por ti. vai dormir descansado. onde é que eu já ouvi isto???

poesianopopular disse...

Ao teu pronto, pois, eu acrescentaria, exactamente!

Anónimo disse...

António Sérgio Lains Baptista Galamba de Oliveira. Militei na Juventude Socialista entre 1996 e 2003 com o número 48596.

Aderi à Juventude socialista em Janeiro de 1996. Aos 14 anos a minha consciência ordenava que me juntasse ao combate ao sistema capitalista e procurasse dar o meu contributo para alcançar o socialismo.

Democrático. Tornei-me militante da JS iluminado pela luz do sonho que é a constituição/declaração de princípios do Partido Socialista em Setembro de 1973. Aqui se lê: “ O partido Socialista tem consciência de que os jovens são mais duramente atingidos do que as outras camadas da população pelo permanente agressão e incoerência da sociedade capitalista” (programa, VII, 1, pág.39) Por isso o PS propõem-se a “desenvolver a luta das classes trabalhadoras pela sua própria emancipação” (declaração de Princípios, 9, pág.7) englobada num “combate antifascista e anti - imperialista” (D.P.7, pág.6) Mais: “ O Partido Socialista repudia o caminho daqueles movimentos que, dizendo-se social democratas ou até mesmo socialistas acabam por conservar deliberadamente ou de facto, as estruturas do capitalismo e servir os interesses do imperialismo”.

Lutei. Cresceu a razão e a responsabilidade política. Assumi a coordenação do Núcleo de Ourém da Juventude Socialista em 2000. Seis anos depois de ter entrado para a JS, e três depois de me tornar militante do PS, conclui que a estrutura em que lutava estava desde há muito transformada. O PS não é mais o Partido Marxista que se mostrara, e dera esperanças ao povo Português, em 1973.

No entanto, nas bases do PS ainda fervilha alguma esperança. Conheci, conheço bem os militantes da JS, nomeadamente os de Ourém. A força está lá. Faltará a convicção e a coragem social?!

Força a todos. Principalmente aqueles que se revirem nestas palavras. De esquerda.

António Lains Galamba