POEMA

LEGADO


O que eu espero, não vem.
Mas ficas tu, leitor, encarregado
de receber o sonho.
Abre-lhe os braços, como se chegasse
o teu pai, do Brasil,
a tua mãe, do céu,
o teu melhor amigo, da cadeia,
abre-lhe os braços como se quisesses
abarcar toda a luz que te rodeia.

Não lhe perguntes porque tardou tanto
e não chegou a tempo de me ver.
Uns têm a sina de sonhar a vida,
outros de a colher.


Miguel Torga

9 comentários:

Ana Camarra disse...

Os sonhos são mesmo para serem recebidos assim!

Beijos

Anónimo disse...

Fernando,
existem também aqueles que a negam.

A revolução é hoje!

samuel disse...

"E porque toda a coragem é necessária,
toda a esperança é legítima."
(J.Pessoa)

Abraço

Maria disse...

Nós sonhamos. Os nossos netos a colherão...

Um beijo grande

Justine disse...

Este Torga é tão perfeito que às vezes até incomoda!
Este poema é duro, doce e comovente.
Sonhemos então, alguém há-de colher

Anónimo disse...

É preciso fazer passar o testemunho, até à vitória final!
Abraço

Anónimo disse...

Se já alguém sonhou para eu colher, é meu dever sonhar para que alguém no futuro possa colher também.

Este Torga é fabuloso. Obrigada por mo lembrares.

bjs

GR disse...

Este poema comove.
Uma herança pesada e dura.
O sonho irá novamente florir.

GR

Fernando Samuel disse...

Para todas/todos: sonhemos, então, e transformemos o Sonho em Vida.

Beijos/abraços.