POEMA

NATAL


Velho Menino-Deus que me vens ver
quando o ano passou e as dores passaram:
sim, pedi-te o brinquedo, e queria-o ter
mas quando as minhas dores o desejaram...

Agora, outras quimeras me tentaram
em reinos onde tu não tens poder...
Outras mãos mentirosas me acenaram
a chamar, a mostrar e a prometer...

Vem, apesar de tudo, se queres vir.
Vem com a neve nos ombros, a sorrir
a quem nunca doiraste a solidão...

Mas o brinquedo... quebra-o no caminho.
O que eu chorei por ele! Era de arminho
e batia-lhe dentro um coração.


Miguel Torga

10 comentários:

Ludo Rex disse...

Porque é Natal...
Abraço

poesianopopular disse...

Não sei se é da quadra natalícia , mas este soneto do Miguel Torga comoveu-me!
Abraço grade camarada!

Maria disse...

Lindo este soneto de Torga... com lágrima e tudo...

Um beijo grande

samuel disse...

Cada vez gosto mais do Torga!
(Na verdade, digo o mesmo de quase todos os poetas de quem gosto...)

Abraço

GR disse...

Gosto deste Natal,
porque gosto muito de Torga!

GR

Ana Camarra disse...

Está um doce, com um travo amargo, mas um doce!

Anónimo disse...

Obrigada pela bela poesia e pelos bons textos.
Boas festas para todos os que or aqui se encontram

Um abraço da Lagartinha de Alhos Vedros

utopia das palavras disse...

Com Torga o Natal fica mais terno!

Feliz Natal para todos

Um beijo

Ludo Rex disse...

Feliz Natal e Bom 2009
Abraço

Fernando Samuel disse...

Ludo Rex: então, viva o Natal...
Abraço.

poesianopopular: e a mim também.
Abraço grande.

Maria: com lágrima e tudo...
Um beijo grande.

samuel: o mesmo se passa comigo...
Um abraço.

Gr: também eu...
Um beijo.

Ana Camarra: sem dúvida...
Um beijo.

lagartinha de alhos vedros: Boas Festas também para ti.
Um beijo muito amigo.

utopia das palavras: igualmente para ti
Um beijo amigo.