POEMA

COMEI VOSSOS PERUS


Comei vossos perus
burgueses anafados
e dai esmolinha aos pobres
que tendes esfomeados.
Um dia há-de chegar
em que sereis assados
não para subir ao céu.


Jorge de Sena

5 comentários:

poesianopopular disse...

Eu tambem penso que não!
Abraço

Fernando Samuel disse...

poesianopopular: talvez no inferno...
Um abraço.

Maria disse...

Esse dia já esteve mais longe!

Um beijo

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Há uns tempos atrás li uma coisa que me impressionou muito, agora ao ler este belo poema de Jorge Sena (outro homem da minha vida :))
com perus á mistura lembrei-me:

Foi um depoimento num livro de recolha gastronomica no Alentejo, a cada receita correspondia um testemunho, na receita da canja de cabeças e patas de peru. O depoimento era simples, uma mulher explicava que as cabeças e patas eram deitadas fora, ela apanhava, roubava um punhado de arroz na cozinha do patrão, juntando um pouco de hortelã fazia a tal canja.....

Quem Somos?

Poderia começar pelo género:
Somos homens e mulheres, mais homens que mulheres, inconformados com a situação politica, social e económica do nosso país, do mundo na sua globalidade.
Pois, podia começar assim, mas ainda assim será pouco.
Dizer que este grupo de pessoas para além de inconformados, têm a noção clara que existem muitas mentiras a circular, verdades escondidas, memórias adulteradas, promessas de futuro que não se querem que se saiba.
Este grupo de pessoas tem idades diferentes, experiências diferentes, vivências diferentes…
Diferentes formas de sentir, agir e escrever.
Portanto juntámo-nos, de uma forma espontânea, com a necessidade de alertar, despertar e agitar.
Cada uma das vozes deste blogue é diferente e igual.
Diferente porque transparece essa qualidade única e individual.
Igual porque estamos em pé de igualdade.
Assim queremos saber o que pensam, queremos saber o que acham, queremos saber do vosso sentir, queremos saber se vos cheira a revolução…

Virá o dia em que não teremos de esperar pelas cabeças dos perus...

Um beijo

Fernando Samuel disse...

Maria: muito, muito mais longe...
Beijo grande.

Ana Camarra: é a isso que se chama a «criatividade» da gastronomia alentejana...
E lá que cheira a revolução cheira...
Um beijo.