POEMA

(Morreu Picasso, que não se limitou a
mostrar com génio nos seus quadros as coisas e
os homens destruídos pelo sistema capitalista...)


Mais nos ensinou Picasso:
que não se é jovem apenas biologicamente,
em virtude
da força com que se luta, o vigor do passo,
o sangue ardente,
nenhuma ruga na face,
o punho agreste e rude.

Na opinião dele
a juventude
nada tem a ver com a pele.
É um sonho mais profundo.
Constrói-se, faz-se
hora a hora, dia a dia,
segundo a segundo.

Sobretudo quando se é comunista
como ele era,
e se ambiciona um Novo Mundo
em que exista
a imaginação, a alegria
e a dupla primavera
nos homens e na Terra.


José Gomes Ferreira

8 comentários:

samuel disse...

Lutemos por isso... mesmo que alguns não nos entendam, como já antes não entenderam Picasso.

Ana Camarra disse...

Eu concordo com esta ideia de Juventude, conheci pessoas de corpo usado e eternamente jovens, curiosos, arrebatados.
Também conheço jovens que parecem nascer já velhos...
José Gomes Ferreira era um jovem, mesmo quando partiu, Picasso parece que sim também, um génio em muita coisa (´só me irrita a forma como tratou as mulheres), mas adoro a sua obra.

beijos

CRN disse...

Fernando,
na paragem do autocarro que nos levava ao congresso, comparti esta mesma constatação com outros 2 camaradas, estes, com um BI mais antigo que o meu, mostravam um discurso, coerente, que obriga a reformular a consideração que habitualmente fazemos sobre a madurez biológica.
O mais curioso, e gratificante, é verificar que essa caracteristica é comum a todo um colectivo.

A revolução é hoje!

CS disse...

"Vim ao comunismo como quem vai à fonte" Pablo Picasso. É tudo.

Fernando Samuel disse...

samuel: há coisas difíceis de entender...
Um abraço.

Ana Camarra: ninguém é perfeito, não é?...
Um beijo.

CRN: a idade só conta... em algumas questões...
Um abraço.

CS: Simples...
Um abraço.

Maria disse...

é tão bom vir até aqui e ler estes poemas... dão-nos um calorzinho por dentro...

Um beijo

Justine disse...

É verdade, a "dose" diária de poesia aqui no "Cravo" começa a ser indispensável. Totalmente dependente, assumo:))

Fernando Samuel disse...

Maria e justine: confesso que eu também já não passo sem isto...
Beijos.