A MUDANÇA ADIADA

Gaza: até agora, mais de 350 palestinos foram mortos em consequência dos brutais ataques perpetrados pelo governo fascista de Israel. E, ao que parece, o massacre vai continuar, para já prosseguindo com os bombardeamentos e os mísseis - mas fala-se cada vez mais em invasão terrestre.
«Está em curso uma guerra total contra o Hamas» - afirmou o criminoso de guerra que ocupa o posto de ministro da Defesa de Israel.
E o facto de 81% dos israelitas apoiarem o morticínio mostra que o crime pode vir a render muitos votos nas eleições de Fevereiro próximo...

Entretanto, as reacções da chamada «comunidade internacional» continuam a primar pelo silêncio quase total. Como se sabe, esta «comunidade» é uma senhora muito matreira que não perde uma oportunidade de se expressar em apoio dos direitos-humanos-made-in-EUA, mas que fica muda e queda sempre que os direitos humanos são violados pelos EUA ou por qualquer dos seus amigos/lacaios.

A União Europeia ainda não disse nada. Percebem-se as razões do euro-silêncio: por um lado, porque o boss-mor Bush, de férias no Texas, ainda não se pronunciou sobre o assunto - e seria arriscado emitir uma opinião que lhe desagradasse; por outro lado, porque seria escandaloso subscrever a escandalosa declaração da Casa Branca - a tal que dizia que «o Hamas deve parar os disparos de rockets sobre Israel» e não fazia qualquer reparo aos bombardeamentos israelitas...

Neste quadro, a opinião de Obama - o da mudança, lembram-se? - era aguardada com grandes expectativas. Havia até quem pensasse que o novo Presidente dos EUA iria dar, pela primeira vez em concreto, um arzinho da mudança prometida.
Afinal, não foi assim: um seu conselheiro veio a público dizer que Obama não se pronunciará sobre a questão porque, disse o conselheiro, nos EUA «há apenas um presidente de cada vez» e, assim sendo, Obama só poderá dar opinião depois de tomar posse...
Espanta que assim seja, tanto mais quanto, como sabemos, Obama, quer enquanto candidato quer após ter sido eleito, tem-se pronunciado sobre tudo o que se passa nos EUA e no mundo.
Pronto: fica uma vez mais a mudança adiada.

E entretanto o massacre continua. Em nome da democracia, da liberdade e dos direitos humanos, bem entendido...

7 comentários:

Aristides disse...

Sempre vou gostar de ver a "mudança" que Obama vai trazer à plítica norte-americana para o conflito israelo-palestiniano. Conflito que foi sempre agressão e genocídio perpetrado por um dos lados, os sionistas de Israel.
Até quando?
Abraço

Crixus disse...

A mim parece-me que a mudança vai ser para pior, pelo menos para os palestinianos. O novo Presidente vai apoiar o regime fascista de Israel e ajudar na opressão e genocidio desse povo. Não podemos esperar que seja a classe politica sionista, um qualquer D. Sebastião na Casa Branca ou essa comunidade internacional, sempre subserviente do imperialismo agressor, a terminar com o drama na Palestina. Essa tarefa cabe á solidariedade internacional entre os cidadãos e forças politicas justas, democraticas e defensoras da paz. A Palestina Vencerá

samuel disse...

A mudança não vai lá com cores... tem de ser mesmo com políticas de mudança.

Maria disse...

Da "mudança" do presidente eleito não falo, simplesmente porque não acredito nela.
Do massacre a que a faixa de Gaza tem estado sujeita é mais uma vergonha inadmissível, que tem de ser veementemente condenada. Faltava mesmo uma mortandade assim para despedida do bush...

Um beijo grande

Ana Camarra disse...

Como é sabido existem váriados tipos de direitos e de humanos...
Não são suiços!


beijos

Antuã disse...

A mudança é um mito. Só aluta dos povos conta para a mudança.

Fernando Samuel disse...

Aristides: é a velha modalidade de mudança conhecida por mais do mesmo.
Abraço grande.

crixus: só com a luta é possível vencê-los.
Um abraço.

samuel: realmente, «as cores da mudança» não é expressão com futuro...
Um abraço.

Maria: despedida do bush, entrada do obama...
Um beijo grande.

Ana Camarra: há os direitos humanos e há os direitos ómanos...
Um beijo.

Antuã: e sem a luta não há mudança.
Um abraço.