UMA DANÇA QUE VEM DE LONGE...

A distribuição de tachos por membros dos partidos da política de direita, em muitos casos ex-governantes, é coisa que vem de longe - o que não obsta a que esteja tão em moda nos tempos actuais.
É natural que assim seja, se tivermos em conta que se trata de uma prática intrínseca a essa política. Ou seja: a política de direita está para os tachos como os tachos estão para a política de direita.

Em 15.10.1983, o Expresso, numa notícia intitulada «Soares e Mota Pinto escolhem novos gestores», dava conta do andamento da distribuição de tachos nesse ano de Governo chamado do Bloco Central, com Soares como primeiro-ministro e Mota Pinto, então líder do PSD, como vice-primeiro-ministro.
Na altura tratava-se de distribuir cargos nas empresas públicas - gente escolhida a dedo e que, como estamos lembrados, tinha geralmente como tarefa levar essas empresas à falência para depois serem vendidas por tuta e meia aos grandes capitalistas.

Dizia assim a notícia do Expresso: «Estão praticamente definidas as alterações nos cargos de gestores públicos que o IX governo prepara desde há pelo menos dois meses. Em encontro que decorreu, na quinta-feira passada, entre Mário Soares e Mota Pinto, com a presença de António Campos e Ângelo Correia, foram ultimadas as "partilhas" em alguns sectores importantes - caso dos Seguros e da Banca (...) A lista dos novos gestores das seguradoras está praticamente concluída».
Segue-se, depois, a longa lista de tachos distribuídos e os nomes dos respectivos beneficiários, após o que o Expresso observa: «É notória nesta lista de nomes o peso dos socialistas, ou da sua área de influência, o que se compreende dado o facto de ser muito grande a influência do PS no sector, nomeadamente através dos sindicatos»...
E a notícia terminava assim: «De acordo ainda com as fontes governamentais contactadas pelo Expresso, ao longo da próxima semana registar-se-á, nesta "dança dos gestores», uma grande evolução.»

Esta dança dos gestores é uma dança que vem de longe...

3 comentários:

poesianopopular disse...

Fico revoltado ao ouvir e ler estas coisas, que estiveram todas nas mãos do povo português, depois veio o traidor e disse:- a revolução acabou, agora vamos todos trabalhar, e assim foi, os trabalhadores trabalharam, os gestores arruínaram e os esquerdalhos infiltrados ajudaram, oa resto.
Será que, o que temos hoje serve de exemplo, para alguma coisa?
Manangão

Antuã disse...

o que temos hoje é o desenvolvimento natural das coisas numa sociedade capitalista. Os lacaios estão muito bem no PSD e no PS. Cabe-nos a nós dar a volta ao texto. Custa muito mas tem que ser.

Fernando Samuel disse...

josé manangão: o que de bom temos hoje é parte do que conquistámos... e ainda é muito.
Abraço.

antuã: tem que ser... e será!
Abraço.