POEMA

O GLOBO

Ofereçamos o globo às crianças, ao menos por um dia.
Para que brinquem com ele como se fosse um balão multicolor.
Para que brinquem e cantem por entre as estrelas.
Ofereçamos o globo às crianças,
entreguemo-lo como uma maçã enorme
como uma bola de pão quente.
Que ao menos por um dia comam até se fartarem.
Ofereçamos o globo às crianças.
Que ao menos por um dia o mundo aprenda a camaradagem,
As crianças tomarão o globo das nossas mãos
e plantarão nele árvores imortais.

Nazim Hikmet

5 comentários:

Justine disse...

"...como bola colorida, entre as mãos de uma criança..."
Inevitável o paralelismo, não é?

samuel disse...

Seria muito bom...
Infelizmente, algumas das crianças geradas por esta sociedade, fariam ao globo o mesmo que fazem os pais.

GR disse...

Concordo com o Samuel.
Porém, vem-me à memória a entrevista feita ao pequeno chinês (6anos), que durante a catástrofe que sofreram há dias, onde numa escola só três crianças sobreviveram. As duas foram salvas pelo pequeno aluno de seis anos. Com um traumatismo no braço, o menino conseguiu salvar dois amigos que estavam inconscientes. Um gesto de grande solidariedade e maturidade.
Como diz o poeta neste poema à esperança, por um mundo melhor:
“Que ao menos por um dia o mundo aprenda a camaradagem”.

GR

Antuã disse...

Que se aprenda um dia; a este dia outro e outros dias se somarão.

Fernando Samuel disse...

justine: foi precisamente um comentário aqui feito estabelecendo um paralelismo entre o Sonho do Sebastião da gama e o do Gedeão, que me fez ir buscar este poema do Nazim Hikmet - a confirmar que os poetas se encontram no Sonho...

samuel: mas isso já não é o Sonho_ é o pesadelo...

gr: ao menos por um dia...

antuã: ... a que se seguirão outros dias...