Lembrar Catarina


54 anos depois, cá estamos. que nenhuma bala é mais forte que o sonho. nenhuma repressão pode, como lembrou sempre o Adriano, vencer um povo que resiste e tem Catarina por estandarte. Ninguém pode calar a voz da liberdade.
Cá estamos dizia. Lá estivemos, todos, uns de alma e coração presente outros de alma e coração lá colocados à distancia pela força dos kilometros que o caminho revestiu até ao peito transbordante da ternura ensanguentada, assassinada, que assim lembramos e alguns, como eu, choraram tamanha a grandeza da nossa memória.
E eu vi camaradas, eu vi a força contida na alegria com que homenageamos a ironia contida numa morte. Como comunistas que somos, do sangue de Catarina - de muitas Catarinas e Carrasquinhas - nos erguemos na cor rubra da bandeira. Operários e camponeses. Mais de cem, mais de mil, Baleizão fora. Alguns cravos, alguns olhos atirando para o horizonte o embaraço da memória, muitos gritos de quem sabe que há muitas formas de tentar matar o sonho. Muitos braços, abraços, beijos e sorrisos humedecidos pela comoção de gerações abraçadas no sonho que nasce sempre que a morte leva um de nós. Muitas balas nos corações agitados pelos dias fascizantes que regressam. muitos punhos, balas da fraternidade, erguidos à raiva dos tiranos: NINGUÉM PODE VENCER UM POVO QUE RESISTE E TEM CATARINA POR ESTANDARTE.

(foto: BALEIZÃO,2008, HOMENAGEM A CATARINA EUFÊMEA, camarada Nilha de Aljustrel. Resistente anti fascista. grande Coração.)

7 comentários:

Alice disse...

Demorou mas valeu a pena!!!
Uma imagem ás vezes vale mais que mil palavras (não desfazendo do post do camarada Tonico)!

A Luta Continua!

Maria disse...

Catarina está sempre presente em todas as lutas, Catarina foi cantada e é cantada e não vamos deixar nunca que seja esquecida.
Honremos Catarina, Casquinha e Caravela e todos os outros e continuemos a sua luta...

Dia 5 está quase aí...

poesianopopular disse...

Nós nunca deixamos morrer os nossos!

Fernando Samuel disse...

Há-de ter sido bonito!

Aqui fica o meu contributo: um poema, creio que pouco conhecido, do Mário Castrim:

VIAGEM ATRAVÉS DE CATARINA

Não quiseste ser valente
não quiseste o amor do perigo
que tanta gente
conquista
- quiseste apenas estar de bem contigo
ser comunista.

E não quiseste a aventura
o gesto da eterna face
de Graça pura
vestido
- quiseste apenas estar onde mandasse o teu Partido.

Novas searas aqui
se levantaram.

Nós falamos de ti porque não te mataram.

GR disse...

Vi um pequeno apontamento na TV.
Catarina está sempre presente!
Lindopoema de Mário Castrim.

GR

sousa disse...

juntar Catarina o nosso Mário Castrim e ter presente os Nilhas das nossas terras que poema á nossa luta, com que vontade continuamos a nossa jornada, até dia 5 camaradas até dia 5.
Um abraço António deste operário.

XICA disse...

Já é um hábito a frequência deste espaço, pela informação e sobretudo pela qualidade e critério na escolha dos textos, este não foi excepção, bem sentidas todas as palavras!