SAÚDE, CAMARADA URBANO

URBANO TAVARES RODRIGUES é um dos grandes escritores portugueses de sempre.
A sua Obra - cerca de uma centena de livros publicados: romance, novela, conto, teatro, ensaio, crónica... - faz dele uma figura maior da literatura portuguesa.

Aos 86 anos acaba de lançar um novo livro: «Assim se esvai a vida».
Trata-se de uma obra com grande carga autobiográfica e na qual encontramos sinais do Urbano homem solidário, fraterno, corajoso, de um humanismo sem margens; do activista político intensamente empenhado na resistência ao fascismo desde meados da década de 50 do século passado - e, por isso, várias vezes preso pela PIDE; do militante comunista.

A propósito do lançamento deste livro, Urbano foi entrevistado para o Jornal de Notícias.
Aqui ficam duas perguntas e duas respostas dessa entrevista:

P.: «Sempre se assumiu como comunista. Sente que essa militância tem prejudicado o reconhecimento?»
R: «E de que maneira! Já várias vezes fui preterido em concursos literários por causa disso».

P.: «E sente que vale a pena continuar a ser comunista?»
R.: «Sim. O neocapitalismo tem uma crise estrutural e caminha para a sua autodestruição. Penso que, no futuro, virá aquilo a que se poderá chamar a igualdade possível».

Chegar aos 86 anos com tal lucidez e tal confiança no futuro é, certamente, desejo maior de cada um de nós - amigos, camaradas, admiradores de Urbano Tavares Rodrigues.

SAÚDE, CAMARADA URBANO.

8 comentários:

samuel disse...

Caminhar para o futuro, desprezando o facto de poder, fisicamente, não chegar lá.
Outros chegarão... e esses outros também somos nós.

Abraço.

Aristides disse...

Não é só nos concursos que é preterido. É no reconhecimento, na visibilidade, na divulgação da sua magnífica obra que se sente a ostracização do escritor e do comunista. Mas isso que importa, quando se vive de cabeça levantada e cerviz erecta?
Abraço camarada

Graciete Rietsch disse...

O futuro é nosso e quando falo em nosso falo em todos os comunistas e resistentes antifascistas,e Urbano é um deles, que dedicaram a sua vida e o seu trabalho a combater a odiosa ditadura que nos amarfanhou,contribuindo assim para que surgisse o glorioso 25 de Abril. Falo também naqueles que acreditaram nesses ideais continuando e acompanhando essa luta. Falo ainda na juventude que corajosamente se une aos que sempre lutaram e lutarão. Falo agora para os que não acreditam e peço que acordem ,se juntem a nós, porque o futuro é nosso e será deles também. Só mais uma palavra de homenagem para os que morreram, lutando.
Um abraço comovido,querido camarada.

Maria disse...

É um dos que se vão tornando imprescindíveis...
Impressionou-me desde logo o título do livro. E não adianta dizer que 'é a vida'...

Um beijo grande.

Antuã disse...

o título do livro é exultante.

pedras contra canhões disse...

ainda não o li, mas procurá-lo-ei.

um abraço a todos!
um grande para ti, fernando samuel.

GR disse...

No Porto já esgotou em algumas livrarias.Bom sinal!
Mas ainda não o consegui comprar.

Um abraço ao escritor e camarada.

Bjs,

GR

Fernando Samuel disse...

samuel: é esse o «segredo»...
Um abraço.

Aristides: e essa é que é a questão essencial.
Um abraço grande.

Graciete Rietsch: aí está uma «palavra de homenagem» sempre indispensável.
Um beijo.

Maria: são muitos, felizmente, os imprescindíveis...
Um beijo grande.

Antuã: um abraço.

pedras contra canhões: um forte abraço, camarada.

GR: ler, ler sempre...
Um beijo.