COMEMORAÇÕES



Sócrates
anda numa lufa-lufa comemorativa: mal despachou o Centenário da República, ei-lo metido em cheio na comemoração das bondades dos cem dias do seu Governo - comemoração misteriosa, esta, e só concretizável com o recurso a uma fértil imaginação criadora, ou nem isso...
Na verdade, quer nos últimos cem dias quer no mandato completo que os antecedeu, a governação de Sócrates tem sido uma calamidade in-comemorável, um mar de maldades que submerge e afoga a imensa maioria dos portugueses, uma verdadeira tragédia nacional - e, como é sabido, as calamidades, as maldades e as tragédias, não se comemoram: lamentam-se...

Mas Sócrates quer comemorar.
(E Soares, que só tem olhos para a política de direita, também acha que «estes cem dias foram muito positivos» e que, agora, com o Orçamento de Estado aprovado, ainda vai ser melhor; e Alegre, que só tem olhos para Belém, não tem nada a dizer sobre este Orçamento de Estado que ele, pela primeira vez, não vai aprovar, sabe-se bem porquê...)

E Sócrates comemora: ontem, o Governo comemorou reunindo e anunciando, com trombetas e fanfarras, a sensacional, a espectacular, a inacreditável Conta Poupança Futuro - que é uma generosa oferta de Sócrates aos pais dos recém-nascidos: uma cana comprida, muito comprida, com dezoito anos de comprimento, e com uma cenoura de 200 euros na ponta...

Mas a comemoração de Sócrates não é só isto: informa o Público que o primeiro-ministro se encontrou, ontem, no CCB, com a Sociedade Civil.
Francamente, não conheço tal senhora, mas presumo que seja pessoa importante, tanto mais que Sócrates, ele próprio, nos diz que ela, a Sociedade Civil, «representa um país dinâmico e positivo».
Por isso ele a convidou para o CCB.
Por isso ele lhe «falou da obra feita pelo seu Governo».
Por isso ele lhe pediu que fizesse «sugestões para novas políticas».
Infelizmente, o jornal não diz se a senhora sugeriu alguma coisa.

No entanto, fonte bem informada garante-me que Sócrates apreciou e aceitou, comovido, a sugestão de as comemorações prosseguirem até ao dia em que os recém-nascidos de 2010 recebam os 200 euros que Sócrates ontem comemorou...

9 comentários:

samuel disse...

Pelo menos para as comemorações é certo que não faltará dinheiro.

Abraço.

Antonio Lains Galamba disse...

pão e circo. onde é que eu já vi isto???

do zambujal disse...

Pois...
Sobre a dita Senhora Sociedade Civil, que também se escreve com s - destes pequeninos - ou com ç - destes de cedilha -, houve um tal Karl Marx que disse umas coisas curiosas e bem acertadas.
E sobre os 200 € para os nascituros, é uma operação de enganar bolos sem paps nem bolos, é empreendedorismo e os Senhores da Banca Civil (parentes da outra) agradecem mas esta ajudinha do Ministério das Finanças.

Olha... um abraço

Antuã disse...

A Dª. Sociedade Civil é uma senhora mafiosa. Conheço-a do Beato.

smvasconcelos disse...

Circo, circo... e acham que ludibriam toda a gente...
beijo,

Graciete Rietsch disse...

Será que as pesoas vão continuar a deixar-se enganar? Quem vai ficar contente é a outra senhora a Banca que irá ser "depositária" desse dinheiro
Beijos.

Maria disse...

O teu sentido de humor merece uma comemoração especial...

Um beijo grande.

poesianopopular disse...

Eu pasmo só de pensar - como é que a maioria dos portugueses admite ser tratada como animaizinhos de capoeira, que engorda ou emagrece, consoante a vontade do dono.
Ás vezes penso que estou a sonhar, mas não, esta é a desgraçada realidade deste país.
Esta tua crónica caustica, só é possível neste espaço, e mesmo assim não sei se não irás ter problemas com a censura, talvez até fosse bom para ver-mos se a luta endurecia,e se a maioria abria os olhos.
Abraço.

Fernando Samuel disse...

samuel: para coisas desse género (comemorações, bancos falidos, etc) há sempre dinheiro...
Um abraço.

Antonio Lains Galamba: onde terá sido...
Um abraço.

do zambujal: o empreendedorismo é também um cavalheiro de alto coturno...
Um abraço.

Antuã: exactamente, é mesmo essa...
m abraço.

smvasconcelos: eles bem tentam...
Um beijo.

Graciete Rietsch: quem fica a ganhar, em tudo, são sempre os mesmos...
um beijo.

Maria: então, dia 17 comemoramos...
Um beijo grande.

poesianopopular: esta realidade que temos que mudar...
Um abraço.