CRISE? QUAL CRISE?

Estava eu a matutar no Orçamento de Estado - e nos cuidados dele em, «por causa da crise», por um lado defender implacavelmente os interesses do grande capital e, por outro lado, flagelar impiedosamente os interesses da imensa maioria dos portugueses - eis que uma notícia me diz que
abriu, na FIL, o Salão Náutico Lisboa Boat Show - que expõe e vende «muitos barcos de luxo, entre os quais vários iates de sonho».

Luxo caro e inacessível?
Um «empresário do ramo» diz que nem por isso.
E explica: comprar «um barco de luxo» ou «um iate de sonho» não é «um luxo tão caro e inacessível como se possa pensar».
E aponta para um dos exemplares à venda, um dos mais baratos, certamente, um barquito jeitoso, muito em conta e que «custa apenas 700 mil euros (mais IVA)» - verba que, como sabemos, está ao alcance de qualquer bolsa portuguesa...
Além disso, esclarece o «empresário do ramo», isto de comprar um barco de luxo, não é tanto uma questão de dinheiro, entendem?, é - isso sim e acima de tudo - «uma opção de vida».
Entendem?: «uma opção de vida»...
E felizmente, continua o «empresário do ramo», há cada vez mais gente a fazer essa opção.

Apesar da gravíssima crise em que o País está mergulhado e que o Orçamento de Estado tão bem reflecte? - isto digo eu.
Crise?, qual crise? - isto diz o «empresário do ramo»: «no sector não há crise. 2009 foi o nosso melhor ano» - e, como «a procura de barcos de luxo está a aumentar», 2010 vai ser ainda melhor.

Agora percebo a razão pela qual os que fizeram da compra de «barcos de luxo e iates de sonho» uma «opção de vida» estão tão satisfeitos com o Orçamento de Estado...

10 comentários:

samuel disse...

Andam muito satisfeitos há muitos anos. Anos demais!!!

Abraço.

do zambujal disse...

É o que dá aumentar assim os salários. Compram-se barcos de recreio e diminui a produtividade... Já lá diz o FMI!

smvasconcelos disse...

É preciso não ter respeito pelo número crescente de pessoas com dificuldades financeiras, para fazer afirmações destas!
beijo,

GR disse...

Os IATES estão isentos do pagamento de IVA, ISP e beneficiam de gasóleo ao preço de 0,80€.
Os Bombeiros Voluntários pagam o gasóleo sem descontos e não têm benefícios fiscais. Os alimentos básicos e medicamentos têm IVA.

Os ricos ficam com o luxo, os pobres com o SONHO!

Especialmente hoje, 4 Fev.
Um Grande Bj

GR

Antuã disse...

Como há-de haver crise para eles se nos vão aos bolsos todos os dias?!....

Graciete Rietsch disse...

Usar os lucros dos vendedores desses artigos de altíssimo luxo como índice da crise é um ultraje para um povo e uma humanidade que tanto sofrem. Impossível Ficar indiferente a esta situação terrível.
Abraços camarada.

poesianopopular disse...

Eu gostava de ter a sabedoria e o poder, de fazer acreditar a estes tansos, que não devem votar nestes autênticos vampiros sugadores das mais valias de quem trabalha - mentindo, amedrontando, jogando sujo - e os pacóvios aceitam o mal menor em vez de exigirem aquilo a que têm direito.
Estava agora a ou-ver a grande entrevista, ao Abel Xavier (Futebolista)pelo facto deste se ter convertido ao islamismo, assunto da maior importância para a crise -no dia 24 de Abril de 74, tambem se discutia na Assembleia da Républica , o plantio da vinha.
O capitalismo drogou o mundo! E agora que fazer?
Só nos resta lutar e desentoxicar!
Abraço

Maria disse...

Este país está uma vergonha! Nem tenho palavras dizíveis...

Um beijo grande.

joão l.henrique disse...

Estão satisfeitos! Será só, até o Povo acordar do sono da indiferença.

Abraço.

Fernando Samuel disse...

samuel: e sabe-se la quantos mais anos andarão assim...
Um abraço.

do zambujal: e o FMI é que sabe...
Um abraço.

smvasconcelos: quem explora só tem respeito... pela exploração.
Um beijo.

GR: ainda bem que voltaste!
Um beijo de muita amizade e camaradagem.

Antuã: os exploradores nunca estão em crise - até um dia...
Um abraço.

Graciete Rietsch: a política de direita é o maior insulto à nossa inteligência e aos nossos direitos...
Um beijo.

poesianopopular: o que nos resta é muito: lutar, lutar sempre.
Um abraço.

Maria: «vergonha» chega...
Um beijo grande.

joão l.henrique: quando isso acontecer...
Um abraço.