SE EU PUDESSE DECIDIR...

Os salários estão na ordem do dia.
Entenda-se: os salários de quem trabalha e vive do seu trabalho, ou seja, dos trabalhadores.
Porque outros salários há, os chorudos, sobre os quais ninguém fala - o que é compreensível se tivermos em conta que os «especialistas» que todos os dias nos vêm dizer que os salários dos trabalhadores não podem aumentar são, ou beneficiários dos tais salários chorudos, ou beneficiários directos dos baixos salários dos trabalhadores, à custa dos quais arrecadam lucros todos os anos maiores, seja qual for a situação da economia nacional...

Neste caso está o muito mediático Van Zeller - grande patrão e porta-voz dos grandes patrões - cujas preocupações maiores incidem no salário mínimo nacional, o qual, segundo diz, não pode aumentar os 25 euros acordados - por razões muitas e muito fundamentadas, às quais acrescentou, agora, um outro demolidor argumento: o de que os 25 euros de aumento não aquentam nem arrefentam nas condições de vida dos trabalhadores...
Tal argumento leva-me a pensar que é bem provável que na cabeça deste Van Zeller esteja a germinar a ideia de baixar em 25 euros o dito salário mínimo: se mais 25 euros não aquentam nem arrefentam, menos 25 também não...
Por mim, se pudesse decidir nesta matéria, punha o patrão Van Zeller a salário mínimo nacional durante um ano - assegurando-lhe, ainda, três meses de salário em atraso.

Do lado dos salários chorudos, temos nem mais nem menos do que o funcionário do Estado mais bem pago em Portugal: o inimitável Vitor Constâncio que, sabe-se bem porquê, continua à frente do Banco de Portugal, não obstante as múltiplas demonstrações de ausência total de vocação para tal tarefa.
Diz o Governador do BP que isto assim não pode ser!; onde é que já se viu um país desenvolver-se com tão elevados salários como são os dos trabalhadores portugueses!; contenção, contenção salarial é que é preciso...
Por mim, se pudesse decidir nesta matéria, punha o Governador Constâncio a salário mínimo nacional durante um ano - assegurando-lhe, ainda, três meses de salário em atraso.

Temos, ainda, um tal «Camilo Lourenço, economista» - cujo nível salarial desconheço mas que, pelos sinais exteriores do discurso, não é difícil adivinhar que é dos chorudos.
Diz ele, o «economista»: «Não é preciso ser doutorado em economia para perceber que em 2010 os aumentos devem ser nulos. Se o custo de vida não sobe, não faz sentido nenhum aumentar os salários».
Pois não, «não é preciso ser doutorado em economia»: basta ser «Camilo Lourenço, economista».
Por mim, se pudesse decidir nesta matéria, punha o economista Lourenço a salário mínimo nacional durante um ano - assegurando-lhe, ainda, três meses de salário em atraso.

Passado esse ano, convidaria o patrão, o governador e o economista para uma mesa redonda sobre salários - e ficaria a ouvi-los...

8 comentários:

Hilário disse...

Devia ser giro ver esses senhores numa mesa redonda a debater os aumentos de salários.

Já agora dizer que não valia a pena dar-lhes o ordenado minimo durante um ano, bastava 6 meses para ver a reacção desses piquenos.

Um Abraço

Maria disse...

E que grande conversa seria, se eles resistissem a um ano com o salário mínimo e 3 meses de ordenado em atraso. Pata que os pôs.

Um beijo grande

CRN disse...

O impacto que supõe um aumento de 25€ numa economia familiar, para 2 ordenados mínimos (porque é disso que falamos), é de cerca de 5,88%, 5,88%!
Olhando do outro lado, do lado dos vampiros, numa hipotética empresa de comercio electrodoméstico (por exemplo), constituida por um quadro de 15 trabalhadores, o aumento de 25€ por trabalhador/mes significa uma poupança, de 4.500€/ano, seguramente compensada pelo aumento de mais de 5% da capacidade aquisitiva da população, considerando que se confirmem as figuras relativas à inflação interanual europeia e sobretudo Portuguesa.
Por outra parte, é bom lembrar que, nem sequer com um aumento de 20% dos ordenados solucionariamos a situação de pobreza de mais, bem mais, de 18% da população.

smvasconcelos disse...

Se eu pudesse decidir nesta matéria, faria exactamente o que sugeres!
Saberão eles sequer o que se pode comprar com 25 euros? Quem ginastica os parcos recursos que tem, sabe-o bem. Pergunte-se aos reformados, assalariados, desempregados...
beijos,

samuel disse...

Era uma vez um patrão, um governador e um economista... e assim começaria uma bela anedota sobre três escroques.

Abraço.

eduricardo disse...

Desse tal Van Zeller, ouvi na rádio e li estas palavras, ditas a propósito de concursos públicos:
"Não podemos é estar a olhar para essa brincadeira de sermos uns limpinhos que cumprimos todas as regras".
Assume que é sujinho e batotiero.
Está tudo dito.

Antuã disse...

Este são apenas três dos muitos vampiros que há em Portugal.

Fernando Samuel disse...

Hilário: se calhar até um mês bastava...
Um abraço.

Maria: seria uma interessante conversa...
Um beijo grande.

CRN: essas são outras contas...
Um abraço.

smvasconcelos: eles só sabem... de si...
Um beijo.

samuel: um bom começo...
Um abraço.

eduricardo: o poder permite-lhe toda a arrogância.
Obrigado pela visita e pelo comentário - um abraço.

Antuã: o bando é grande, de facto.
Um abraço.