A LUTA É O CAMINHO

Os jornais de hoje dão grande destaque ao «acordo alcançado para resolver a crise nas Honduras».
Registe-se que nunca a situação nas Honduras mereceu tamanho destaque nos média nacionais - os quais, como é sabido, primaram por um cirúrgico silenciamento em torno quer do golpe fascista, quer da repressão que se lhe seguiu.
Daí a minha surpresa com o destaque agora dado por esses mesmos média a este «acordo» - surpresa e, confesso, desconfiança.

Quais as razões da minha desconfiança com tudo isto?
Vejamos:
O referido «acordo»- que foi discutido e assinado por duas comissões compostas por representantes do Presidente legítimo, Manuel Zelaya, e do golpista Micheletti - prevê, designadamente, a formação de um «governo de reconciliação» - que governo será este? - e o «possível regresso» de Manuel Zelaya - «possível»?...

Acresce que este «possível regresso» está dependente da decisão do Congresso Nacional das Honduras, que deveria reunir de emergência mas cujo Presidente não está, de momento, em Tegucigalpa, nem se sabe bem onde estará...

Acresce, ainda, que o Congresso, «pode demorar vários dias ou várias semanas a reunir» - é este mesmo Congresso que, duas horas depois do golpe fascista, estava reunido a dar posse ao governo gopista...

Acresce, finalmente, que, segundo o representante de Micheletti na «comissão do acordo», «o acordo não estabelece um prazo para que o Congreso se pronuncie sobre o regresso de Manuel Zelaya»...

Se tivermos em conta, ainda, que
1 - o «acordo» foi anunciado horas depois de o delegado norte-americano para a América Latina, Thomas Shannon, ter estado com o fascista Micheletti e ter declarado publicamente que «sem um acordo dificilmente a comunidade internacional poderá apoiar as eleições que Micheletti marcou para 29 de Novembro», e que
2 - para Micheletti e para os seus planos, este apoio da comunidade internacional às suas eleições é crucial...

Bom, se tivermos em conta tudo isto, é caso para dizer que tudo isto faz desconfiar... - e que o povo das Honduras não pode parar a sua luta, pois só através dela conseguirá derrubar o governo fascista e repor a legalidade democrática.

E na luta, isso sim, há que confiar plenamente - porque a luta é o caminho.

7 comentários:

samuel disse...

Ah... também estás desconfiado...

Abraço.

salvoconduto disse...

Eu vou mais longe, naqueles termos eu não assinava o acordo e por aqui me fico.

Antuã disse...

Bem me parecia que a atenção dada às Honduras pela miserável comunicação social que temos trazia água no bico.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Força Zelaya não desiludas o POVO que te ama.Tenho confiança.
Um beijo CRAVO DE ABRIL e obrigada pela esperança que me tens transmitido.

Manuel Rodrigues disse...

São mesmo muitas as razões para a desconfiança, a primeira das quais reside no próprio facto de o fascismo ter sido sempre (e continuar a ser) um recurso político-ideológico do capitalismo (quando não consegue os seus objectivos por outros meios). Ora, sendo esta a verdadeira natureza da questão, é caso para perguntar: Quem precisou do golpe fascista para prosseguir o seu domínio geo-estratégico, vai agora, de boa fé, abrir mão da sua "receita" e devolver o poder ao presidente legítimo e ao povo que o elegeu?...Estou de acordo: só há um caminho, o da luta. E o povo hondurenho, por muitas razões da sua própria (tantas vezes trágica) história, também o sabe.

Maria disse...

Nas Honduras, como cá, é o único caminho que temos - LUTAR!

Um beijo grande

Fernando Samuel disse...

samuel: um bocadito...
Um abraço.

salvoconduto: infelizmente, é bem possível que os factos te venham a dar razão...
Um abraço.

Antuã: esta comunicação social não dorme em serviço...
Um abraço.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes: as declarações de Zelaya, hoje, vão no sentido de alertar o povo para as manobras em curso.
Um beijo.

Manuel Rodrigues: se o fizerem é só porque não têm outro remédio, mas tudo tentarão para fazer as coisas à sua maneira...
Um abraço.

Maria: e não há outro!
Um beijo grande.