HOMEM DE PALAVRA...

Num breve resumo da história dos «governos minoritários» desde 1976, o Diário de Notícias diz, a dada altura: « Foi Mário Soares quem primeiro tentou levar um executivo minoritário a bom termo. Tendo o PS vencido as eleições de 1976 (37,9 %) cumpriu a promessa de um Governo "só, só, só PS"».

Ora, se a primeira parte da afirmação (que, aliás, não tem qualquer relevância) é verdadeira, o mesmo não se pode dizer da segunda parte.
Pôr alguns pontos nalguns is, torna-se, por isso, necessário - sem a mínima ilusão de que a voz do Cravo de Abril possa chegar onde chegam as vozes que escrevem a história do poder dominante; mas com a consciência de que, mesmo assim, vale a pena ir relembrando aspectos da história desse tempo, desse primeiro Governo Soares/PS e do papel por ele desempenhado no processo de liquidação da Revolução de Abril.


Recordemos, então, os factos: durante a campanha eleitoral de 1976, Mário Soares expressou repetidamente o seu objectivo e a sua convicção de que o PS iria alcançar «entre 40 e 42 % dos votos (...) o que permitirá obter a maioria absoluta na Assembleia da República e formar sozinho o governo».
E tão certo estava de que assim seria que ousou, mesmo, afirmar: «se o PS tiver uma votação menor do que aquela que teve nas últimas eleições, portanto se ficar abaixo dos 38%, nós consideramos que o povo português não nos quer dar um mandato para governarmos».

Contados os votos, constatou-se que o povo português não queria dar ao PS um mandato para governar.
Com efeito, em relação às eleições anteriores, o PS perdeu quase 300 mil votos e desceu de 38% para 34,9% (não 37,9% como, certamente por lapso, diz o DN)

E também ao contrário do que diz o DN, Soares não cumpriu promessa nenhuma: dando o dito por não dito - matéria em que é, desde há muito, o maior especialista nacional - formou governo: rejeitando as insistentes propostas do PCP para a formação de um governo de esquerda, avançou para a formação de um Governo... «só, só, só PS», como diz o DN?
Não: um Governo dito do PS sozinho, mas, de facto, aliado à direita.
(Recorde-se que Soares não se cansava de dizer que o PCP não era um partido «democrático» e que «democráticos», isso sim e de primeira, eram o PPD e o CDS...)


Foi esse Governo PS/Soares aliado à direita que iniciou a brutal ofensiva contra os direitos dos trabalhadores; contra a Reforma Agrária e as Nacionalizações; contra a Constituição da República aprovada meses antes; contra a Revolução de Abril.
Foi esse Governo PS/Soares aliado à direita que iniciou a política de recuperação capitalista, imperialista e latifundista e que iniciou a entrega da independência nacional ao imperialismo.
Foi esse Governo PS/Mário Soares aliado à direita que iniciou a política de direita desde então levada à prática por todos os seus sucessores (Balsemão/Freitas, Cavaco, Guterres, Barroso/Santana, Sócrates).

E foi assim que Soares - homem de palavra... - «cumpriu a promessa de um Governo "só, só, só PS"»...

16 comentários:

LGF Lizard disse...

E desde 1976 que o povo português mostra que nada quer com comunismos, socialismos e afins, como sabiamente o demonstra nas eleições, onde o PCP nem 10% dos votos consegue.....

samuel disse...

E o DN lá sabe dessas minudências? Olha que tu, também!...

Abraço.

do zambujal disse...

Pois. Soares e os seus sucessivos sucessores. E, logo depois, vem o governo PS/CDS, não é verdade?

Ó "lézard" (LGF?), vá lá... assina mais uma certidão de óbito do PCP para ir para a nossa colecção. Vá lá...

Um abraço para ti, Fernando Samuel

poesianopopular disse...

...e ainda, com a agravante, do dito cujo, se prestar a ser o cão fiel do imperialismo internacional,e ainda acusar os outros de copiarem modelos vindos do estrangeiro.
A estória se encarregará, de julgar o grande traidor dos trabalhadores -o julgamento já teve início á medida que engrossa a fila dos desempregados.
Enquanto existirem Cravos de Abril a defesa dos trabalhadores estará garantida.
Abraço revolucionário.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

É bom não esquecer quem eles são!!!
Obrigada por relembrares. Beijo

Maria disse...

Necessário avivar memórias. Urgente informar quem desconhece. Fundamental é ler o Cravo de Abril, sim. Cada vez mais. Obrigada!

Um beijo grande

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Mas de facto, Mário Soares é um posso de credibilidade, é um poço sem fundo, ela some-se!

beijos

LGF Lizard disse...

Ó "camarada" do Zambujal, já aqui disse que existem três instituições (chamemos-lhe assim) que nunca irão desaparecer em Portugal: A igreja católica, o partido comunista e o SPORT LISBOA E BENFICA.
Para mim, os dois primeiros poderiam desaparecer que não fazem cá falta (aliás, fazem tanta falta como a fome), mas o GLORIOSO nunca!
Mas, assim é que o PCP está bem. Com 7 e tal por cento dos votos, quinta força política... digamos que não está morto, mas está ligado à máquina...

GR disse...

Como Abril teria sido diferente se esse “S” fantasma reencarnado de “S” não existisse.
Não é como muitos "provocadores" dizem e eles bem sabem.
O povo quando está aflito é com o PCP que vai ter; problemas como o desemprego, saúde, ensino, reforma, nas horas de aflição a população vai ter com os comunistas para estes os ajudarem, para os esclarecerem. Seja através de comunistas que estão representados nas Assembleias Municipais, de Freguesia, de comunistas conhecidos na terrinha, de advogados, médicos, etc., o Povo sabe que o PCP luta honestamente e intransigentemente pelo bem-estar dos trabalhadores.

Um post muitíssimo necessário para ser lido e reflectido, por o maior número de pessoas.

Bjs,

GR

Manuel Rodrigues disse...

Esta direita vernácula (a tal direita "democrática", de que tanto gosta Mário Soares) é sempre assim. Isto a propósito dos comentários de LGZ Lizard. Vê-se quanto lhe custa que nunca se tenha cumprido o profético anúncio da morte do comunismo. Dói-lhe que com 7, 8, 9, 10 (ou mesmo mais) por cento dos votos o PCP continue a existir, a intervir, a lutar e a transformar. E pior que tudo: a resistir à política de direita dos últimos 33 anos. E tanto e tão continuadamente (repare-se que estamos a falar de um Partido que em breve vai celebrar o 89º aniversário), que até obriga os LGZês a continuarem a gritar: o comunismo morreu, ouviram?... Mas, ó LGZ, se quer mesmo saber quanto o comunismo está vivo, pergunte a Mário Soares, que é homem de palavra.

Antuã disse...

Soares é um homem de ppalavra. Fidelíssimo ao capitalismo e ao imperialismo. Entretanto veio aqui alguém zurrar a morte do PCP.

Membro do Povo disse...

1- Parem de dar bola ao Lizard. Não lhe liguem para ele fartar, por favor não lhe respondam aos comentários!

2- Soares não admitiu à pouco tempo que o PS nunca foi de esquerda? mais um dito por não dito!

3- Historicamente acho até compreensível (contudo detestável) o estrondoso resultado do PS no pós revolução.
Passo a explicar: a revolução foi feita pelo MFA e não pelo PCP, logo à partida isso não nos coloca numa posição de vantagem em relação às restantes forças politicas, pelo contrário, apesar dos anos e anos de luta pela Liberdade, pelo Povo, pelos Trabalhadores, pela Paz... o Povo habituado ao fascismo votou naqueles a que estavam habituados - sim o Povo já estava habituado às caras do PPD, PS e PP que faziam parte do governo fascista na chamada «ala liberal». Fora a desvantagem da partida a História diz-nos que quanto mais forte é a opressão mais fortes são os comunistas, e durante o PREC viveu-se a liberdade instaurada por Vasco Gonçalves e defendida pela ala gonçalvista do MFA, que após o afastamento do primeiro e consequente derrube do segundo - ou seja: a retirada de poder aos comunistas que participaram activamente na revolução de Abril, nos deixou nas mãos dos contra revolucionários, deixando o caminho aberto para as politicas
burguesas levadas a cabo depois do 25 de Novembro de 75 (quando Mário Soares formou governo, ainda na presidência de Vasco Gonçalves, viu-se impedido de iniciar as políticas pretendidas: A união Povo MFA\ MFA Povo era demasiado forte!)

Em síntese - a revolução foi feita por uma organização militar (MFA) que composta por comunistas na sua maioria (gonsalvistas, como eram chamados) mas que não era comunista na integra ficou com os louros da Revolução de Abril!
A ligação da Revolução a uma organização de cariz militar e não de cariz Comunista não favoreceu o PCP, que apesar da Luta incansável pelos Trabalhadores teve de defrontar os rostos agora auto-proclamados "democratas" do antigo regime. Nessa vivência democrática (o ano e meio de ouro da nossa Historia)tinha-mos então uma óbvia desvantagem eleitoral, já na altura, perante os partidos da burguesia!

Isto é parte de uma reflexão pessoal que não consigo transcrever na integra de forma sucinta para já, por isso deixo a questão incompleta...

Hilário disse...

Soares cumpriu com a sua palavra,
que o diga o seu grande amigo Frank Carlucci, embaixador americano e homem da CIA.

Um Abraço

Hilário disse...

Soares cumpriu com a sua palavra,
que o diga o seu grande amigo Frank Carlucci, embaixador americano e homem da CIA.

Um Abraço

LGF Lizard disse...

Ó "camarada" Manuel Rodrigues: a mim não me doí nada... muito pelo contrário, doer só de tanto rir à vossa conta.
E de facto, o comunismo está morto. Nunca mais o povo português irá viver sob uma ditadura, seja ela de esquerda ou de direita. Nunca mais haverá exilados e perseguidos políticos nem campos para prisioneiros políticos. Muito menos haverá polícias políticas. Assim, é inevitável dizer que não haverá comunismo em liberdade, assim como não há liberdade no comunismo. E como o povo português nunca mais irá abdicar da liberdade...

Fernando Samuel disse...

LGF Lizard: Pois.

samuel: realmente!...
Um abraço.

do zambujal: e depois os governos PS/PSD/CDS, todos iguais em matéria de política governamental - até ao Sócrates/2...
m abraço.

poesianopopular: de uma coisa não se livrará: ficará na história como o principal inimigo da Revolução de Abril.
Um abraço.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes: água mole em pedra dura...
Um beijo.

Maria: um beijo grande.

Ana Camarra: o homem é só credibilidade...
Um beijo.

GR: acontece até que milhares e milhares que não votam PCP/CDU, reconhecem essas qualidades ao Partido...
Um beijo.

Manuel Rodrigues: um abraço.

Antuã: nesse sentido, bem pode dizer-se que «Soares é fixe»...
Um abraço.

Membro do Povo: é uma reflexão, que não partilho inteiramente, mas que acho interessante.
Um abraço.

Hilário: essa palavra, cumpriu ele integralmente.
Um abraço.