Freguesia da Unidade


freguesia da unidade. com maiúsculas que não pus, mas que lá estão, na memória de todos que fizeram da unidade o lema da sua freguesia na mais bonita de todas as belas conquistas de Abril. este foi o nome escolhido, imagino a comoção em que a lembrança surgiu, pelos trabalhadores para a sua UCP, durante a Reforma Agrária. O lagar ainda hoje trabalha, se bem que já não sejam dos trabalhadores as terras de onde extraem o fruto, luz prometida no fio de azeite à força de muita pedra em mós. nos casões ( assim chamam, no Alentejo, às arrecadações) nasceu um centro cultural que foi hoje inaugurado. De todos os caminhos e estradas da aldeia vieram camponeses, operários, desempregados, reformados... em todos uma luz tremeluzente no olhar, fazendo lembrar tempos cantados pelo adriano, em que os olhos dos camponeses eram fogos na madrugada. mais de cem encheram o auditório. outros tantos ficaram de fora, ouvindo ecos na esperança que dentro e fora se multiplicava. a obra, a excelente obra, admirou a todos. e um orgulho quase inexplicável invadiu os peitos dos ervidelenses que ali estavam. para umas palavras subiram ao palco os «principais» representantes dos órgãos autárquicos. a primeira palavra coube ao presidente da junta. No nobre, assim se chama o meu bom amigo e grande camarada, tudo se resume à beleza profundíssima do seu coração de homem bom. foi impressionante ver no rosto dos seus conterrâneos, na minha gente, a alegria pueril ... reflexo de uma bem mais madura de se saberem detentores de uma junta de freguesia onde a honestidade e a força de vontade fazem destas coisas. belas. como só as aves sabem pintar nos vôos rasantes a algum sonho. o manuel camacho, depois do luis - presidente da assembleia municipal , nos ter lembrado que nestas coisas se marca a diferença entre nós comunistas e os outros, oportunistas-veio tocar fundo em qualquer consciência mais dura que ainda restasse. da sua boca se soltaram três palavras. e o novo centro cultural de ervidel ficou «baptizado». Freguesia da Unidade ... e logo lágrimas correntes, de quatro em quatro, em muitos dos que enchiam a sala, pequena demais para a alegria raiante nas memórias. Freguesia da Unidade! e eu vi, eu vi, eu vi e venho aqui contar... daqueles corações, nesta gente que facilmente aprendi a amar, como se amam as coisas mais profundas e simples, ergueram-se com mais força ainda, os sonhos de Abril que não esquecemos e que, dia para dia, se tornam mais vermelhos, como as bandeiras do meu Partido. Freguesia da Unidade. nome bonito de UCP. e agora de centro cultural, na revolução que é preciso fazer (ainda) na consciência de muitos elementos deste povo que tarda em acordar, para a clara madrugada que se anuncia... num qualquer mês, num qualquer ano, para que se cumpra Abril! e a Reforma Agrária. Unidos. como bem anuncia esta freguesia. ervidel. do alentejo. que tem a cor dos camponeses e operários em luta.

13 comentários:

Maria disse...

Lindíssimo! Comovente! Arrepiante!
Não tenho outras palavras.

Um beijo, António

Anónimo disse...

Palavras escritas por quem sabe transmitir os grandes sentimentos dum povo que não desarma, não desanima nem desfalece - o nosso povo - NÓS.

Campaniça

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Que texto maravilhoso. Emocionante.
São assim os comunistas. Viva Abril, viva o PCP. ABRIL cumprir-se-à. Beijos.

XICA disse...

Igualzinho a si próprio, assim é o António. Bêjos

duarte disse...

Belo... e como gostaria de presenciar todos esses sentimentos .
obrigado pelo testemunho.
abraço do vale

carmen disse...

Beijo e parabéns pelas palavras tão verdadeiras.

poesianopopular disse...

Grande magano, com esta tua bela prosa fizeste humedecerem-me os olhos, ao recordar os tempos em que sía-mos aquí de autocarro, ao sábado de madrugada com duas caixas de sardinha e lá íamos a caminho de VAL de VARGO para a apanha da azeitona, ao almoço era uma sardinhada para todos, dormia-mos por lá, domingo novamente apanha de azeitona, e ao almoço era um ensopado de borrego convívio e regresso a Lisboa.
Um grande abraço para ti extensivo a todos os Ervidelenses.

Anónimo disse...

Obrigado comunas, que graças á bela merda que fizeram no 25 de abril e ainda queriam uma nova Cuba por cá e agora fazem-se de muito democratas?!

Traidores da nação e da raça branca é o que vocês são, vendem a pátria e defendem os invasores mesmo que isso custe a vida ao povo português. Pois daquia a 30 anos este outrora nobre e orgulhoso Portugal vai parecer um brasil, e ai vocÊs vão estar satisfeitos....


Mas ainda se resiste:


http://www.youtube.com/watch?v=QuXyvKzf17M

Portugal aos portugueses

LGF Lizard disse...

Embora não vá à bola com ideologias ditatoriais (sejam de esquerda ou de direita), ainda menos vou à bola com o racismo e a xenofobia.

LGF Lizard disse...

Reforma Agrária para quê? Para não produzir, já bastam as directrizes de Bruxelas.
Aliás, o Alentejo até já é mais PS do que PCP...
E o Alentejo já não vai ser vosso outra vez, para desgosto da camarada Odete... que até é Presidente da Assembleia Municipal da minha terra...

Fernando Samuel disse...

Freguesia da Unidade: bonito!


Um abraço grande.

maria povo disse...

Reforma Agrária!! A Terra a quem a trabalha!!

Por acaso até há dados de como, com a criação das UCP's (Unidades Cooperativas de Produção!, se passou a produzir cerais (trigo, aveia, centeio) e a criação de animais, a níveis nunca antes atingidos!!!.. até era bom escarrapachá-los na cara de antónios barretos e afins...

nessa época, os países do norte da europa ajudaram na concretização dos objectivos traçados para a reforma agrária com a doação da maquinaria agrícola!!!

houve a criação de creches de apoio aos filhos dos (das) trabalhadores, houve a criação de centros de saúde com campanhas de vacinação infantil! enfim...
para não falar dos belos encontros culturais com o Zeca,a Adriano, Samuel, etc em que a Cantiga é uma Arma!!!

mas hoje, só o mecionar o nome de COOPERATIVA AGRÍCOLA, causa "arrepios" pois os antónios barretos sabem, que quando o Povo o quiser, estaremos lá!!! na Vanguarda!!!

belo texto!!!

duarte disse...

ao palhaço das 21h58
tu por acaso já émigraste?
já sentiste na pele o ódio racista.
para tua informação, nós portugueses, somos vistos como um povinho de áfrica, e se puderem explorar, exploram-nos.
Eu senti o que é ser estrangeiro.muitos anos.e acredita , não somos um membro da ue. somos apenas mais um território onde se pode explorar recursos através de mão-de-obra barata. sabes o que os meus diplomas valem em frança? nada. embora tenha conhecimento perfeito da lingua. faz-te à vida, e depois então teremos outra converseta.
as minhas desculpas aos restantes pela minha linguagem.
abraço do vale