UMA DATA

«Cartas de Fuzilados» é o título de um pequeno volume editado em França, pouco depois de ter terminado a segunda guerra mundial - e publicado em Portugal há uns anos.
Trata-se, regra geral, da última carta enviada às famílias, nas vésperas de execução, por resistentes franceses presos, torturados e condenados à morte pelos nazis.
E que, apesar disso - ou por isso mesmo - são cartas de esperança e de coragem dos que vão morrer para os que vão continuar a luta pela qual eles deram as suas vidas.

No dia 5 de Agosto de 1944, horas antes de ser executada, uma jovem - FRANCINE FROMOND - escreveu à irmã, a única pessoa da família que escapara às garras nazis, a seguinte carta:

«Minha irmã muito amada
Chegou a hora de te dizer adeus.
Minha querida, é preciso ter muita coragem. Quanto a mim, tenho a necessária, e os companheiros de prisão poderão confirmar-to. Mas não é de mim que quero falar. Queria dizer-te que os meus últimos pensamentos serão para ti. Tu és a única que resta da nossa família, e acho que tens um grande dever: permanecer fiel aos nossos ideais, pelos quais o nosso querido Marcel e a nossa mamã bem-amada deram também a vida. Dar a vida pela felicidade dos outros é magnífico. E é graças ao nosso Partido que eu vivo esta alegria. Que o teu pequeno Claude a experimente quando tiver idade para o entender. É por ele e pelos da sua geração que eu morro. Será assim, estou bem certa.
Que os meus camaradas pensem, não em mim, mas na dedicação que tinha ao nosso grande Partido, e que isso os encorage a resistir nos dias difíceis.
A ti, Madeleine, adeus.
Coragem e confiança.
Mil beijos.
Francine»


Francine Fromond aderira à Juventude Comunista aos 16 anos. Agente de ligação no início da oupação nazi, foi presa com a mãe no dia 30 de Julho de 1943. A senhora Fromond morreu na tortura. Francine, horrivelmente torturada, foi transferida para Fresnes e condenada à morte. Foi fuzilada no dia 5 de Agosto de 1944.
Tinha 26 anos de idade.

6 comentários:

samuel disse...

Mesmo que por vezes pareça banal e de fraca qualidade, a liberdade que vivemos teve um preço muitíssimo elevado.

Anónimo disse...

Como é que o PCF, com gente com esta grandeza, deu naquilo que deu?...

rui silva

Maria disse...

Há posts tão difíceis de ler...

Um beijo

Sérgio Ribeiro disse...

Caro Fernando Samuel, este teu post é daqueles que mexem muito cá por dentro, embora cá por dentro as águas não estejam paradas. Vou meter no blog som-da-tinta a capa do livro, de que senti a falta neste post.
Um grande abraço

CS disse...

Esta carta devia ser enviada a todos os que contribuíram para que o PCF fosse o que hoje é.

Fernando Samuel disse...

samuel: se teve!

rui silva: pois é...

maria: difíceis de ler, mas de indispensável leitura...

zambujal: força!

cs: achas que lhes valeria de alguma coisa?...