POEMA

ANNA IMROTH

Cruza-lhe os braços sobre o peito - assim.
Endireita-lhe um pouco mais as pernas - assim.
E chama o carro para que a leve a casa.

A mãe dela há-de chorar,
e também as irmãs e os irmãos.
Mas os outros salvaram-se todos: foi ela a única
rapariga da fábrica que não teve sorte
ao saltar cá para baixo
quando o fogo irrompeu.

Andou aqui a mão de Deus -
e a falta de uma saída de emergência


Carl Sandburg
(Tradução de Alexandre O'Neill)

5 comentários:

Justine disse...

Principalmente, a falta de uma saída de emergência:))
Tão bem contado, tão poeticamente sentido.
Não conhecia Carl Sandburg - obrigada!

josé manangao@sapo.pt disse...

Os cuidados a ter com os defuntos, são mais fáceis e custam menos , daí o cuidado.
Para quê uma saída de emergência, o patrão não sai por ela!

Maria disse...

E continua a ser assim, todos os dias...

Obrigada pelo poema!

Um beijo

samuel disse...

Dois versos finais... explosivos!
Ia escrever "como uma bomba" mas lembrei-me do "echelon"... :)

Abraço

Fernando Samuel disse...

justine: agradeçamos ao O'Neill que foi quem o trouxe até nós...
Um beijo.

josé managão: «o patrão não sai por ela»: bem visto.
Um abraço.

maria: enquanto não dermos a volta a isto...
Um beijo.

samuel: pronto!, o echelon já te caçou...
Um abraço.