NOTÍCIAS DA FOME

Eis a situação no mundo, em matéria de «pobreza extrema»:
«A pobreza é maior do que se pensava» - diz o Banco Mundial (BM), e especifica que hoje «há mais pessoas a viver em condições de pobreza extrema» do que havia há três anos.
Nessa situação estão «1.400 milhões de pessoas», ou seja, um em cada quatro habitantes do Planeta - o que corresponde a um aumento de cerca de 500 milhões em relação a 2005.
Isto - adverte o BM - «não considerando, ainda, o impacto, sobre os pobres, da recente escalada dos preços do petróleo e dos alimentos, o que poderá fazer cair mais 100 milhões de pessoas na pobreza extrema».

Para ficarmos com uma noção mais completa do significado destes números, importa ter em conta que, para o BM, uma pessoa vive em«pobreza extrema» quando tem um rendimento que não ultrapassa 85 cêntimos por dia.
Assim sendo (isto não diz o BM, digo eu) quem tiver um rendimento de 1, ou 2, ou 3 euros por dia, vive apenas na «pobreza»... e, muito provavelmente, os que disponham de meia dúzia de euros/dia já entram na categoria de felizardos...

Se os EUA autorizassem que o direito à alimentação fosse considerado um direito humano, diriamos que o respeito pelos direitos humanos deixa muito a desejar neste mundo dominado pelo sistema capitalista...
E nos próprios EUA, onde o número de pessoas que vivem no «limiar da pobreza» - isto é, que têm um rendimento inferior a 13 dólares/dia - anda pelos 38 milhões.

A diferença entre estes 13 dólares/dia/EUA e os 85 cêntimos/dia/resto do mundo, é a diferença que há entre o sonho americano interno e o sonho americano exportado...

5 comentários:

maria teresa disse...

Hesitei antes de escrever o que penso em relação a este post, acabei por tomar a decisão que está à vista.
1º-Estou a comentar neste blogue porque ele me agrada muito, principalmente, nas "revelações" poéticas da responsabilidade do "proprietário" do espaço.
2º-Os problemas socio-políticos aqui levantados são pertinentes e actualizados.
3ºEste, que passo a comentar, refere-se a uma necessidade básica de todo o ser humano, poder viver com dignidade. Ao contrário do que tem acontecido, o que nos foi "oferecido" pelo Fernando Samuel ficou muito aquém do que poderia ter dito (ou que eu penso que poderia ter dito), limitou-se quase a frisar o que de um modo ou doutro todos sabemos e não o que realmente pensa e o que se pode fazer para ajudar a minimizar o PROBLEMA.
4º-Conclusão: Esperava mais "paixão", mais "calor" e maior "empenho" na mensagem.

Fernando Samuel disse...

maria teresa: obrigado pela crítica; relendo o que escrevi, estou tentado a dar razão ao seu comentário...
Até à próxima.

zambujal disse...

Neste post, à parte as observações de um outro comentário a que o F.S já deu a resposta que só ele poderia dar, quero sublinhar a importância do esclarecimento - tantas vezes ignorado ou esquecido - sobre a forma de medir a pobreza - em percentagem de médias nacionais -, o que faz com que o valor que determina a linha abaixo do qual se é pobre num país que tem 200 de média é o dobro do que determina que se é pobre num outro país que tenha apenas 100 de média geral. Qual seria o número de pobres no mundo se o limiar da pobreza fosse 13 dólares e não 85 cêntimos?!
Um grande abraço

Maria disse...

Fica decidido unilateralmente que vou comprar uma net portátil (tenha lá o nome que isso tiver) para levar comigo para onde for.
Senti a falta de ler alguns blogs, não posso ficar tão desactualizada...

Obrigada pelos teus esclarecimentos sempre esclarecedores (passe a redundância) e pelos posts que entretanto já li.

Um beijo grande

Fernando Samuel disse...

zambujal: Exacto! - e se, por exemplo (e como deixei insinuado) o BM considerasse que, em vez dos 85 cêntimos, o limite para a «pobreza extrema» era, por exemplo de 1 ou 2 euros/dia, quantas mais pessoas estariam nessa situação?...

Um abraço.

maria: eu já comprei... mas... custa-me 29,65 euros/mês...

Um beijo muito amigo.