MAL INCURÁVEL

Há coisas que não suporto: entre elas contam-se os escritos de Miguel Sousa Tavares (MST).
Não pela qualidade da sua escrita mas pelo conteúdo da mesma - e essencialmente pelo jeito de MST de repetir ideias de outros apresentando-as como se fossem produto do seu pensamento.
Quer isto dizer que o homem não pensa?
Pensa. Só que... melhor fora, para ele e para os que o lêem, não o fazer...
Quero eu dizer com isto que, se na repetição do que outros pensam, ele se exibe apenas como plagiador do que de mais reaccionário por aí circula, quando expõe, de facto, o seu pensamento, então não vos digo nada...
Foi o que aconteceu em parte do texto saído no último Expresso - precisamente aquela parte em que MST, pensando pela sua cabecinha, critica os jornais portugueses por terem dedicado à morte de Soljenitsin «um curto obituário», ainda por cima sem dizerem sobre o homem o que havia que dizer...

Li não sei onde, em resposta à cegueira de MST, a invocação das 3 páginas do Público (mais capa e mais editorial) dedicadas ao assunto.
Sim, mas... não chega: para uma ideia mais aproximada da dimensão do despautério vertido pelo pensamento de MST, é indispensável lembrar mais, pelo menos, uma página do DN, outra do JN e mais uma do CM... complementadas com os inevitáveis artigos de opinião...
Isto para além do destaque dado à ocorrência pelo próprio jornal em que MST despejou o seu escrito, no qual, como sublinhou, com particular pertinência, o anónimo século xxi, Soljenitsin «morreu nas páginas 4, 5, 37 e 39»...

Mas talvez o que mais importe sublinhar neste texto de MST é que, no que respeita à apreciação política do morto, ele limita-se, afinal, a repetir, no essencial, a chapa 1 de todos os outros jornais.
É verdade que MST procede a umas tantas variações sobre o tema comum a todos, como que a querer dizer-nos que também pensa...
Louve-se-lhe o esforço, mas lembre-se-lhe que o faz na sua lamentável e lastimável condição de comentador-tipo da nova ordem comunicacional - que é a condição pior que pode acontecer a quem escreve...
Noam Chomsky disse-lhe isso, aqui há uns anos e o MST, na altura, pobre dele, fez o que pôde: ouviu, calou, corou e, corajosamente, meteu o rabo entre as pernas...
Depois, voltou a escrever - assim confirmando ser incurável o mal de que padece.

6 comentários:

poesianopopular disse...

Não me apacece opinar sobre mais este produto ultra-liberal.
Com este já não à nada a fazer, talvez em vinho-de-alho, ele fique bem.

samuel disse...

Belo post!
Mesmo assim... acho que me vou "aborrecer" contigo pela primeira vez. É que se o meu amigo pensa que chega aqui (mesmo estando em casa) e fica à frente na fila dos que nutrem os mesmos saudáveis sentimentos pelos escritos de MST... está muito enganado!...
Custa assim tanto a ver a máquina das senhas numeradas, à entrada? Ora esta!...
:)))

Grande abraço

Maria disse...

É mais forte que ele... que faz "gala" em ser como é...

Um beijo grande

Anónimo disse...

Como é que uma mãe daquelas pariu uma merda destas?

rui silva

Antuã disse...

Quando MST fala é ele que o faz ou o uísque?!...

Fernando Samuel disse...

josé manangão: e é que talvez fique...
Um abraço.

samuel: pronto: a frente da fila é larga, muito larga, felizmente...
Um abraço.

maria: essa é uma característica dos imbecis...
Um beijo grande.

rui silva: essa não é culpa dela...
Um abraço.

antuã: só ele saberá...
Um abraço