HIROSHIMA E NAGAZAKI

Foi a 6 e 9 de Agosto de 1945 - e foi o mais cruel, o mais monstruoso, o mais bárbaro morticínio da história.

A decisão foi, no essencial, tomada pelo Presidente Truman e pelos seus homens de mão, entre os quais se encontrava Churchil.
O monstruoso crime foi, na altura, justificado por duas razões: «exigências militares» e «necessidade de evitar milhares de mortes de norte-americanos e aliados».
Ambas as justificações eram falsas.

«Exigências militares»?
Eis alguns factos: Truman e Chruchil sabiam que:
o imperador decidira render-se desde 20 de Junho e que, quer o embaixador do Japão em Moscovo, quer o príncipe Konoye haviam encetado contactos com a URSS no sentido de pôr termo à guerra;
o Japão perdera quase toda a aviação e marinha e a sua defesa antiaérea tinha sido destroçada pelos 7. 000 raids dos B-29 norte-americanos;
a 10 de Março, a cidade de Tóquio havia sido exaustivamente bombardeada pelos EUA, provocando 125 mil mortos e feridos;
isto é: o Japão estava irremediavelmente vencido.
Truman e Churchil sabiam ainda, como toda a gente, que a Alemanha nazi capitulara três meses antes. Que o nazi-fascismo estava derrotado.
Que a URSS tivera nessa derrota um papel determinante.
Que o inimigo a abater, agora, era a URSS.
Aliás, fora o avanço imparável do Exército Vermelho que obrigara os EUA a abrir a segunda frente, com o desembarque na Normandia, dez meses antes - e fora esse mesmo avanço imparável que levara Churchil, em Fevereiro de 1945, a ordenar a destruição de Dresde - cidade alemã sem quaisquer alvos militares e desprovida de quaisquer defesas - provocando 125 mil vítimas.

«Necessidade de evitar milhares de mortes de americanos e aliados»?
É falso. Tratava-se, isso sim, de «justificar» o bárbaro crime perante a opinião pública internacional.
É curioso ver como o «número de vítimas evitadas» foi progredindo:
Truman começou por dizer que o lançamento das bombas poupara «a vida de 250 mil americanos»; depois corrigiu: «foram evitadas 500 mil perdas (americanas e aliadas)»; a seguir esticou a corda para «mais de um milhão de vidas salvas»...
Por seu lado, Churchil fixou o número em «um milhão e 200 mil» - e o marechal britânico Arthur Harris, delirante, falava de «2 a 3 milhões de perdas evitadas».
Já o chefe da força aérea dos EUA - general Curtis Le May - explicava, com o coração nas mãos, o objectivo: «Fazer regressar o Japão à Idade da Pedra».

Na realidade, nem uma vida foi salva com o lançamento das duas bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagazaki.
Na realidade, mais de 200 mil pessoas tiveram morte imediata e as consequências das duas explosões continuam ainda hoje a fazer-se sentir, matando.

Truman e Churchil pareciam feitos de encomenda para a sinistra tarefa. Eles formavam uma parelha que se identificava totalmente no anticomunismo primário, na cínica desumanização, na prática provada de carniceiros eméritos.
E a realidade posterior mostrou que tiveram continuadores à altura: para não recurmos muto no tempo, basta lembramo-nos de Bush e Blair.

6 comentários:

cheap stocks disse...

help me.

zambujal disse...

Há quantos anos (ou séculos?) a mentira, o cinismo, o pretexto para justificar o injustificável, o horror da deshumanidade?
Há quantas décadas (ou séculos?),
anteontem "as bruxas de Salém", ontem Hiroshima e Nagasaki, hoje, agorinha mesmo, o Iraque? E tanto mais!
E amanhã?
E até quando?
Um abraço
_____________
É pá, fernando samuel, telefona-me, por favor!

Maria disse...

No ano passado assinalei este dia no meu blogue. Este ano não sou capaz...

Deixo-te o belíssimo poema de Vinicius:

Rosa de Hiroshima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária

A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica

Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada


Um beijo

poesianopopular disse...

...e todos estes assassinos morreram sem serem julgados!
Qual a diferença entre estes crimes, e os praticados pelos nazis?

samuel disse...

Como poderia haver alguma coisa de verdade nas palavras, motivações e explicações desta gente?
A própria verdade foge deles como da peste!...

Fernando Samuel disse...

zambujal: amanhã o irão... até que o horror seja banido da face da terra...

maria: obrigado pelo Vinícius (ainda pensei neste poema para hoje...)

josé manangão: sem ser julgados e louvados como heróis...

samuel: e para eles a verdade é a peste...