POEMA

FESTA ALEGÓRICA


O bobo do imperador Maximiliano
organizou uma festa alegórica
que o povo e a corte do soberano à frente
saborearam em grandes gargalhadas:
juntou na praça todo o cego pobre,
prendeu a um poste um porco muito gordo,
e anunciou ganhar o dito porco aquele
que à paulada o matasse. Os cegos todos
a varapau se esmocaram uns aos outros,
sem acertar no porco por serem cegos,
mas uns nos outros por humanos serem.
A festa acabou numa sangueira total:
porém havia muito que o imperador
e a corte e o povo não se riam tanto.
O bobo, esse tinha por dever bem pago
o fabricar as piadas para fazer rir.

Jorge de Sena

7 comentários:

Utopia das Palavras disse...

Adorava saber o nome do bobo.
Não é por nada... é uma cisma minha!

Um beijo
Ausenda

Ana Camarra disse...

Por vezes somos bobos de muitos imperadores, ás vezes somos o porco, a maior parte das vezes os cegos, que não conseguem ver o evidente: que nos batemos uns aos outros, que o sangue é mais nosso do que do porco, que os bobos se divertem á nossa conta, que o imperador é quem ri mais da nossa cegueira.

Jorge de Sena, boa malha!

beijo

Justine disse...

Não sei porquê, esta "Festa alegórica" do Jorge de Sena lembrou-me qualquer coisa...que será??

Fernando Samuel disse...

ausenda: o nome do bobo é... são tantos!...
Um beijo.

ana camarra: bem visto...
Um beijo.

justine: por que será?...
Um beijo.

poesianopopular disse...

Bobos e cegos não faltam, só mudou a Côrte!
A quem servir, que enfie a carapuça!
Abraço

samuel disse...

Se alguém volta a acertar-me uma paulada... juro que me passo dos carretos! :)

Fernando Samuel disse...

poesianopopular: exacto...
Um abraço.

samuel: estes bobos são perigosos...
Um abraço.