POEMA

OS AMIGOS


Os amigos partilham
a sua desgraça
em pedaços iguais.
Cada qual recebe
o mesmo quinhão
de tristeza e bruma
e tudo repartem
os dias perdidos
as noites crispadas
as mortes comuns.

De repente falam
e apertam as mãos
levantam lareiras
desenham viagens
confiam no amor.

E no chão vazio
nascem malmequeres
frágeis como a esperança
(e tão persistentes)
frágeis como a vida
(e tão arraigados).

Obscuras flores
que irrompem do escuro
mas que trazem nelas
o espectro do sol.


Sidónio Muralha

(«Poemas de Abril» - 1974)

8 comentários:

Maria disse...

Assim são os amigos: repartem tudo.
E repartir sonhos é tão bom...

Um beijo grande.

Fernando Samuel disse...

Maria: «a amizade é tudo»...
Um beijo grande.

samuel disse...

Sol que acaba sempre por raiar... começando nos olhos dos amigos.

Abraço.

Graciete Rietsch disse...

É bom ter amigos que partilhem connosco as alegrias, as tristezas mas também a luta.
Um grande abraço camarada e mais uma vez obrigada pelos poetas que nos tens trazido.

Justine disse...

O mais frágil e o mais forte da vida, simultaneamente...

Fernando Samuel disse...

samuel: lá onde a amizade começa...
Um abraço.

Graciete Rietsch: os amigos são o melhor que há...
Um beijo.

Justine: é bem possível...
Um beijo.

smvasconcelos disse...

Lindo,lindo o poema. Como a Amizade: "flor que irrompe do escuro trazendo o espectro do sol".
beijo

Fernando Samuel disse...

smvasconcelos: lindo como a amizade, dizes bem.
Um beijo.