TERRORISMO (2)

Volto às invencionices terroristas do vereador Assis/PS que, há dias, com o acolhimento mediático de que todas as trapaceirices reaccionárias gozam, anunciou a «presença das FARC na Festa do Avante!» - além de, sobre as FARC, ter revelado partilhar a opinião de Bush.

Se o vereador Assis está de facto preocupado com o terrorismo tem que mudar a agulha ao seu discurso. Na verdade, nem no PCP (nem nas imediações do PCP), o vereador PS encontrará vestígios de tal coisa, bem pelo contrário: são conhecidas as posições, a prática e a coerência do PCP na denúncia e no combate ao terrorismo - tal como é conhecido o facto incontestável de o PCP ter sido várias vezes alvo do terrorismo.
Essa é uma matéria na qual nenhum outro partido político nacional - sublinho: nenhum! - pode dizer, dizendo a verdade, o que o PCP, dizendo a verdade, diz.

Sabe quem quer saber - e a informação está disponível para o vereador Assis - que Salazar considerava «organizações terroristas» quer os movimentos de libertação das colónias, quer a (única) força organizada que em Portugal fazia frente ao fascismo: o PCP - e só se o dito vereador não quiser é que não sabe como, sobre estas organizações, se fizeram sentir as consequências da repressão contra elas desencadeada pela ditadura terrorista de Salazar.
No entanto, os vencedores dessa batalha foram os revolucionários. Os derrotados foram os terroristas.

O terrorismo, temporariamente interrompido com o 25 de Abril, cedo reapareceu: à medida que a Revolução avançou e a construção de uma democracia avançada começou a ganhar forma, as forças contra-revolucionárias viram no terrorismo uma necessidade imperiosa.
E não hesitaram em recorrer a ele - terrorismo a sério, com bombas, tiros, asaltos, incêndios, e provocando destruições, feridos, mortos.
Essa vaga terrorista - como o vereador Assis deveria saber - tinha como alvo primeiro e preferencial o PCP: vários centros de trabalho do Partido foram assaltados, destruídos á bomba, incendiados e muitos foram os militantes comunistas que sofreram as consequências dessas acções terroristas - em alguns casos com as perdas das suas vidas.
E é bom que o vereador Assis não esqueça quem financiou e quem organizou e dirigiu esses brutais actos terroristas:
os milhões necessários vieram dos EUA, da então RFA, da França, da Grã-Bretanha, enfim, de governos que, tendo apoiado o fascismo até ao seu último dia de vida, foram inimigos da revolução de Abril desde o seu primeiro dia de vida;
a direcção da vaga terrorista foi assegurada, superiormente, pelos partidos da contra-revolução: o CDS, o PSD e o seu, dele, vereador Assis, partido: o PS - que, aliás, teve em toda a acção contra-revolucionária um papel destacado, determinante.

Tudo isto para dizer que se o vereador Assis está, sinceramente, preocupado com o terrorismo, não é para o PCP nem para a Festa do Avante! que deve olhar: aí só encontrará combatentes, alvos e vítimas do terrorismo.
Olhe, isso sim, para a sua própria casa.

Se assim fizesse - e se, porventura, fosse tocado por um breve sopro de dignidade anti-terrorista - estou certo de que sairia e fecharia a porta bem fechada atrás de si.

7 comentários:

samuel disse...

A isto chama-se trabalho de equipa... :)
Enquanto o vereador do Partido alegadamente Socialista Silva fica momentâneamente distraído a tentar perceber onde é que está o raio da graça do meu post, leva com esta verdadeira cacetada de escacha pessegueiro pela cabeça abaixo.
Muito bom!

Abraço

Aristides disse...

Boa malha, Fernando Samuel!
Oxalá o Assis ficasse caladinho, mas se não é ele, outros voltarão à carga. Eu lá estarei em Setembro, com as indicações utílissimas do Samuel, a procurar a caverna onde estão escondidos os "terroristas" das FARC.
Abraço camarada

Fausto disse...

Até acrescentava o seguinte:

O PCP nos anos 60 também conheceu a sua "cisão maoista" à semelhança dos demais partidos comunistas no mundo aquando da ruptura sino-soviética.

Ora, que reclamavam então os (poucos) maoistas portugueses? Reclamavam, principalmente, que o PCP iniciasse a "luta armada"!

E como o pcp não abraçou o aventureirismo, Francisco Martins Rodrigues (que faleceu recentemente) foi criar com mais meia-dúzia de amigos o Comité Marxista Léninista Português/ Frente de Acção Popular em 1964.

Como é evidente, trataram de abraçar a famosa "luta armada". Como? Da seguinte maneira:

a) foram para os pinhais treinar tiro ao alvo (literalmente!!!)

b) Aprenderam a fabricar cocktails Molotov

c) Atiraram uns Cocktails Molotov a duas esquadras da polícia... Já o regime fascista tremia como varas verdes...

d) Liquidaram um bufo da PIDE infiltrado no seu movimento.

E a PIDE não foi de modas!!! Plas debilidades intrínsecas e orgânicas destes "lutadores armados", conseguiu deitar as mãos ao Francisco Martins Rodrigues que acabou por vacilar na prisão e denunciou, traindo, os nomes e contactos da sua própria organização "armada".

Moral da história: foi tudo de cana e assim acabou a primeira experiência de "luta armada" em Portugal!

Maria disse...

Excelente post!
Da dignidade anti-terrorista tenho para mim que é coisa que esse senhor nem consegue cheirar, quanto mais ter...
Obrigada, Fernando Samuel
Um beijo

Antuã disse...

o Tanas do Assis não sabe o que diz.

poesianopopular disse...

E vem o Presidente do conselho para a televisão, dizer que o PCP é que diz quem é ou não é de esquerda, com gentalha desta dentro da empresa (PS)...o que será que eles são?
Se estivessem caladinhos em vez de andarem para aí a grunhir!

Fernando Samuel disse...

samuel: dizes bem: trabalho de equipa...
o teu post é excelente.
abraço.

aristides; está combinado: encontro (secretíssimo) com as FARC, à meia-noite, no piso -5...

Abraço.

fausto: em todo o caso, luta armada não é terrorismo...
Abraço.

maria: o Assis nem deve saber o que isso é...
Beijo grande e cheio de saudades...

antuã: diz o que lhe disseram para dizer...
Abraço.

josé manangão: são.. aquilo que a gente sabe que são...
Abraço.