A ESSÊNCIA DA DEMOCRACIA URIBIANA

Segundo nos é dito pelas televisões, rádios e jornais, Uribe e o seu governo são protagonistas de um modelo de democracia digno de servir de exemplo a todo o mundo.
Segundo os partidos (BE incluído) que aprovaram o voto do PS no Parlamento, Uribe e o seu governo, para além dessa exemplar prática democrática, apresentam uma outra não menos relevante qualidade: a de intrépidos combatentes de organizações terroristas.

É verdade que, soube-se agora, Uribe foi, digamos assim, eleito graças a uma fraude, mas isso que importa?: se foi fraude, foi uma fraude democrática - e, bem vistas as coisas, quem há aí que possa atirar-lhe a primeira pedra? Ou seja, e para acabar com a conversa: Uribe foi tão democráticamente eleito como o foram muitos dos seus colegas em muitos outros paises.

Além disso - e convém não esquecer! - o que conta é a «mais-valia democrática» que Uribe levou à Colômbia e essa não há nada que a possa fazer esquecer.
E tão evidente é essa mais-valia que nem as televisões, jornais e rádios, nem o PS e os seus colegas de Parlamento (BE incluído) sentem necessidade de se lhe referirem: para quê estar a lembrar coisas que não são agradáveis de ouvir, inevitáveis acidentes de percurso democrático, ao fim e ao cabo banalidades que não aquecem nem arrefecem no que diz respeito à questão maior, que é a democracia? Melhor é nada dizer sobre isso - e, também neste caso, acabar com a conversa...

E com tal atitude, esses média e esses partidos, são injustos e ingratos para Uribe e o seu governo - pois é nessas práticas silenciadas que reside a essência da democracia uribiana, e é delas que emergem os notáveis esforços democráticos que têm vindo a ser desenvolvidos pelo governo de Uribe.
Esforços que superam tudo o que naquela parte do mundo tem vindo a ser feito...

Ora é para colmatar essa injustiça e essa ingratidão que aqui relembro dois exemplos - apenas dois, entre muitos - dessa democracia aplicada cujos méritos são, hoje, reconhecidos por toda a comunidade internacional:

- mais de 11. 200 colombianos foram assassinados desde que Uribe foi «eleito» - sublinhe-se que não se trata de mortos em combate, mas de homens, mulheres e jovens assassinados nas prisões, em atentados e através de vários outros métodos nascidos da criatividade democrática de Uribe e dos seus capangas;

- o número de desaparecidos na Colômbia ronda os 30 mil - estamos a falar dos denominados «desaparecimentos forçados» que são, regra geral, desaparecimentos para sempre, como o prova o facto de, ou nunca mais ninguém saber nada desses desaparecidos, ou quando aparecem, é assim: «em 2007, foram encontrados, enterrados em valas comuns, 1196 corpos que, pelo estado em que se encontravam, não foi possível identificar».

É esta, então, a democracia louvada pelos média e pelos partidos (entre eles o BE) que, no Parlamento, juntaram a sua voz à do PS - o qual juntara a sua à voz de Uribe, que é a do Bush.
E ai de quem não alinhar na louvação...

5 comentários:

samuel disse...

Os próximos tempos irão revelando (com a ajuda de contributos como este) que esta deve ser uma das histórias mais "mal contadas" dos últimos anos.

Abraço

zambujal disse...

Fernando Samuel e Samuel, esta "história mal contada" está a cumprir o seu papel. Ocupa espaço na comunicação social, alimenta campanhas (contra a Festa do Avante, por exemplo), "baralha as cartas" naquela região (usando, ao que me parece magistralmente, Chavez), "demoniza" perante a opinião pública manipulada quem levantar a mínima reserva à grande encenação da linda senhora (aliás, com excelente aspecto...) resgatada heroicamente para a liberdade, a família, Paris e tudo. E etc.
Da nossa parte, só há que continuar! Ainda que a contra-gosto porque... há tanta coisa para fazer.
Abraços

Antuã disse...

A campanha contra o nosso Partido é feroz e está a clarificar a situação. os modernaços já deixaram cair a máscara. Já dizia o Nazareno que não se pode servir dois senhores ao mesmo tempo. os modernaços já tornaram claro que servem o dinheiro mesmo que venha do narco-tráfico.

Aristides disse...

Fernando Samuel
Como é "estranho" o silêncio sobre o passado(?)de Uribe.O que importa é que cumpre os requisitos necessários para ser democrata. É pró-Americano e é quanto basta.
Abraço camarada

poesianopopular disse...

Até já o palhaçeco da Madeira, se juntou á orquestra!
Por aquí se vê, a dor de corno que é para eles a "FESTA DO ÀVANTE".
Camaradas, é preciso estar atento à mínima provocação.