POEMA

O MEU PREÇO


Eu cidadão anónimo
do País que mais amo sem dizer o nome
se é para me dar de corpo e alma
dou-me todo como daquela vez em Chaimite.
Dou-me em troca de mil crianças felizes
nenhum velho a pedir esmola
uma escola em cada bairro
salário justo nas oficinas
filas de camiões carregados de hortaliças
um exército de operários todos com serviço
um tesouro de belas raparigas maravilhando as praias
e ao vento da minha terra uma grande bandeira sem quinas.

Se é para me dar
dou-me de graça por conta disso.

Mas se é para me vender
vendo-me mas vendo-me muito caro.

Ao preço incondicional
de quanto me pode custar este poema.


José Craveirinha

6 comentários:

Ana Camarra disse...

Faltam-me as palavras perante tanta lucidez!

beijos

samuel disse...

"Maldigo la poesia
concebida como un lujo cultural
por los neutrales
que lavandose las manos
se desentenden y evaden
maldigo la poesia
de quién no toma partido
hasta mancharse"

Assim, de cor... é isto!

Abraço

Maria disse...

Deixaste-me sem palavras, logo de manhã...
Esta poesia não tem preço...

Beijo grande

Fernando Samuel disse...

ana camarra: sobre a matéria está lá tudo, não é?...
Um beijo.

samuel: há quanto tempo não lia (e não ouço) «isto»!...
Um abraço.

maria: de manhã é que se começa o dia...
um beijo grande.

Ludo Rex disse...

Uma Sociedade Justa e Igualitária, a que todos aspiramos... Abraço

Fernando Samuel disse...

ludo rex: é por ela que lutamos - até à vitória final.

Um abraço.