POEMA

AFORISMO


Havia uma formiga
compartilhando comigo
o isolamento
e comendo juntos.

Estávamos iguais
com duas diferenças:
ela não era interrogada
e por descuido podiam pisá-la.

Mas aos dois intencionalmente
podiam pôr-nos de rasto
mas não podiam
ajoelhar-nos.


José Craveirinha
(Cela 1)

11 comentários:

maria teresa disse...

Excelente!

Ludo Rex disse...

A resistência a falar sempre mais alto. 'Eles podem até tirar a minha vida, mas nunca a minha liberdade'
Abraço

poesianopopular disse...

Outros existem apenas para viver ajoelhados, é uma questão de dignidade!
Abraço

samuel disse...

Muito bonito!

Ana Camarra disse...

Até nos podem tirar a liberdade, mas a dignidade só se deixarmos...

utopia das palavras disse...

O peso faz curvar
a impotência perante o algoz
faz revoltar
a ansia de justiça
liberta-nos
de todo o peso!

Beijo, amigo
ausenda

Maria disse...

Excelente este poema de José Craveirinha.
"De pé, como deve ser quem é"

Um beijo grande

Hilário disse...

Lindo, é com estes saberes que cada vez sinto mais orgulho naquilo que faço e no que defendo.

Sempre de pé

Um Abraço

Justine disse...

Belíssimo aforismo! Grande Craveirinha!

Antonio Lains Galamba disse...

belíssimo.

Fernando Samuel disse...

Para todas e todos: vou continuar com o José Craveirinha durante mais uns dias.

Beijos e abraços.