POEMA

UM HOMEM NUNCA CHORA


Acreditava naquela história
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!


José Craveirinha

9 comentários:

Ludo Rex disse...

Todos trememos e todos choramos alguma vez na vida.. Todos...
Abraço

poesianopopular disse...

Nunca é tarde!
Estamos sempre a tempo de aprender - até a ser HOMENS!
É claro que o José Craveirinha sabia isso melhor que eu.
abraço

Maria disse...

Os Homens choram sempre, quantas vezes de ternura...

Um beijo grande

Ana Camarra disse...

Os homens choram, os que não choram são menos homens!

beijos

samuel disse...

É o crescimento...

Anónimo disse...

Poema lindo!
Chorei com ele, porque me trouxe de volta o meu pai.
Que saudades do meu pai, da sua voz, das nossas conversas.
O meu pai foi um operário,mais que explorado, trabalhou duro como pedreiro, para que os filhos pudessem estudar.
Mas o que me fez chorar hoje com este poema, foi lembrar as sua lágrimas por tudo, principalmente por alegria.
Chorava como um menino na abertura da Festa do Avante e dizia que era como que um milagre, tantos comunistas juntos e livres.
Agora choro eu na abertura da Festa, com saudades dele.
Obrigada pelo poema escolhido
Um abraço da Lagartinha de Alhos Vedros

Hilário disse...

Eu hei-de chorar sempre!
Um Abraço

maria teresa disse...

E POR VEZES

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos. E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em poucos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos corpos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se evolam tantos anos

David Mourão-Ferreira

Fernando Samuel disse...

ludo rex: todos!
Um abraço.

poesianopopular; cada um sabe o que sabe - que é muito...
Um abraço.

maria: de ternura, de alegria, de tristeza, de emoção, de raiva...
Um beijo grande.

ana camarra: os que não choram hão-de ser muito tristes...
Um beijo.

samuel: até à altura... do homem...
Um abraço.

Lagartinha: esse são momentos que também me fazem chorar...
Um beijo amigo.

hilário; chorar é próprio do homem...
Um abraço.

maria teresa: esse soneto do DMFerreira já por cá passou - mas só faz bem lê-lo mais uma vez.
Um abraço amigo,