POEMA

PERSPECTIVA


Um dia,
quando eu sair do meu emprego,
hei-de encontrar
logo ali, à esquina,
o meu bravo cavalo de batalha
e irei calagando por aí fora.

Na minha grande lança
ficarão naturalmente espetados todos os capitalismos
- levemente torcidos como um colar de chouriços -
Não havendo, enfim, logo a seguir mais lutas a travar,
darei liberdade ao meu cavalo de batalha
e ficarei quieto
sossegado
a vê-lo pastar.

Mas se assim não for,
muita coisa me poderá acontecer
nesta minha bela terra.
Perseguições,
vigílias, fomes, calabouços,

e os meus filhos pequeninos a mendigar.


Francisco Viana

12 comentários:

samuel disse...

É verdade!... Não se pode dar muito descanso ao nosso cavalo de batalha...

GR disse...

Em memória dos Resistentes, pelo futuro das nossas crianças.
Estaremos sempre vigilantes,
Não pode voltar acontecer!
Lutaremos sempre, até Vencer!

GR

Maria disse...

Mas nós não vamos permitir que volte a acontecer!
E esta força vem num crescendo...

Um beijo grande

poesianopopular disse...

Agora já tudo isso acabou! Para já não existem empregados mas sim colaboradores,e os meninos já não mendigam! Entreteem-se a pedir.
Mudam-se os nomes, mas mantêm-se os problemas, só não vê quem não quer ver.
Abraço

Antuã disse...

Pelos nossos meninos, lutaremos.

Lúcia disse...

Um aviso...importantíssimo. Para não esmurecer

Justine disse...

Já muitas coisas nos estão a acontecer...é melhor não ficar sossegado a ver o cavalo pastar!

(não conheço Francisco Viana, mas comecei agora a conhecê-lo)

Ana Camarra disse...

Quando poderemos deixar o cavalo só a pastar?

beijo

Utopia das Palavras disse...

pastos não lhe faltariam, se tivéssemos a hipotese de o pôr a pastar... mas por enquanto temos mesmo é que continuar a lutar...!

Beijo

Ludo Rex disse...

Espetemos todos os capitalismos nas nossas lanças...
Abraço

Hilário disse...

A pior situação é ficarmos a olhar para o nosso rico cavalo.

Que fazer?

Continuarmos sempre a lutar para que as nossas lanças consigam chegar aos nossos objectivos, que será obviamente acabarmos com capitalismo.

Um grande abraço

Anónimo disse...

alguem pode dizer-me: este Francisco Viana é aquele que fazia letras para os Trovante?
desculpem a ignorancia e obrigado.