POEMA

ITINERÁRIO


Os milhares de anos que passaram viram
a nossa escravidão.

NÓS carregámos as pedras das pirâmides,
o chicote estalou,
abriu rios de sangue no nosso dorso.
NÓS empunhámos nas galés dos césares
os abomináveis remos
e o chicote estalou de novo na nossa pele.
A terra que há milhares de anos arroteámos
não é nossa,
e só NÓS a fecundamos!
E quem abriu as artérias? quem rasgou os pés?
Quem sofreu as guerras? quem apodreceu ao abandono?

E quem cerrou os dentes, quem cerrou os dentes
e esperou?

Spartacus voltará: milhões de Spartacus!

Os anos que aí vêm hã-de ver
a nossa libertação.


Papiniano Carlos
(In Estrada Nova)

14 comentários:

Subterrâneo da Liberdade disse...

Caro Camarada,

Bonito Poema!

Mas, acima de tudo, obrigado por me dares a conhecer um poeta que desconhecia a não ser no nome.
A partir de agora irei ter a preocupação de adquirir e conhecer a sua obra.

Cumprimentos
Mário Figueiredo

Justine disse...

Basta tomar consciência da força que nós temos. Mas até lá...

XICA disse...

Até lá Justine, vamos, em todos os momentos, lutando pela conscencialização das pessoas, porque a acomodação é o pior inimigo de todos nós.

samuel disse...

A revolução dos escravos... lembra-me qualquer coisa... :-)

Belo poema!

poesianopopular disse...

Palpita-me, que não estará longe o dia, em que a maioria será composta de Spartacos!
Abraço

Ana Camarra disse...

Olha este não conhecia!
Mas pronto, fala de Spartacus, para além de adorar os filmes de Kubric, era pequenita quando vi Kirk Douglas como Spartacus, um filme brutal, até porque apesar de armadura e arena afastava-se muito dos Ben-Hur e Quo Vadis (que confesso também gosto de ver), vejo sempre Spartacus com vontande, até porque estes exemplos de homens que crescem assim em busca da Justiça e Liberdade e fascinam.
Obrigado por este poema!

Beijos

Maria disse...

Enorme este poema!
De luta, de resistência, de Liberdade!
é o que nos cabe fazer anós, também, e mais do que nunca!

Um beijo grande

Utopia das Palavras disse...

Nós... tudo!
e havemos de ser...
milhões!

Lindo poema
Obrigada

Beijo
Ausenda

Ludo Rex disse...

Seremos e somos milhões...
Abraço

Anónimo disse...

Nós somos milhõs, só falta alguns tomarem consciência disso e da força que tem um povo quando se levanta!

Abraços da Lagartinha de Alhos Vedros

pintassilgo disse...

A revolta dos Escravos com Spartacus deu os seus frutos cerca de 400 anos depois. Lutemos que as nossas acções darão fruto mais tarde ou mais cedo.

CRN disse...

Fernando,
Sem dúvida, "Os anos que aí vêm hã-de ver
a nossa libertação."

A revolução é hoje!

Hilário disse...

Fernando,

nós somos milhões e vamos ser cada vez mais e as nossas lutas serão sempre melhores cada dia que passa, os nossos objectivos serão um dia realizáveis.
A luta continua!

Um grande Abraço

Lúcia disse...

'Os anos que aí vêm hão-de ver a nossa libertação'.
Cabe-no, no dia a dia, dar esses passos. para esse dia estar cada vez mais perto.
E ler estas 'coisas' inspira-nos. Dá-nos força.
Obrigado Fernando Samuel, por no-lo trazeres.
Beijos