A FAMÍLIA...

A Caixa Geral de Depósitos (CGD), presidida por Faria de Oliveira, propôs o nome de Castro Guerra para chairman, ou seja, director não executivo, da Cimpor.
A proposta foi aceite pelos restantes accionistas da Cimpor.

O PCP protestou, demonstrando inequivocamente que a nomeação de Castro Guerra viola a lei das incompatibilidades, na medida em que o nomeado vai desempenhar funções numa empresa que esteve sob a sua tutela há menos de três anos.

Um deputado comunista levantou a questão na Assembleia da República.
Um deputado do PS encontrou a solução do problema.
E que solução foi essa? anular a nomeação ilegal?
Não: «corrigir a lei»...

Provavelmente, é isso que vai acontecer, com o acordo da Família...
Pode acontecer, até, que a Família nem sinta necessidade de «corrigir a lei» e se limite, pura e simplesmente, a não a cumprir e pronto.
Como é sabido, é grande a experiência da Família nessa matéria: basta olhar para o que tem sido a sua prática ao longo dos últimos 34 anos...

Quando digo Família, falo, obviamente, da família da política de direita, composta pela santíssima trindade PS/PSD/CDS-PP, a qual tem dado provas de incontestável imparcialidade na distribuição de tachos pelos três ramos familiares.


Referindo-me apenas aos dois nomes supra-citados, recordo que Faria de Oliveira, para além de ter sido administrador de um número incontável de grandes empresas públicas e privadas, foi membro de governos presididos por Balsemão/Freitas do Amaral, Soares e Cavaco - e que Castro Guerra, também com vasto currículo empresarial, integrou o governo de Guterres e foi secretário de Estado de Manuel Pinho, no governo Sócrates.

Registe-se, finalmente, o facto de os accionistas da Cimpor (que aceitaram Castro Guerra para chairman da empresa) terem rejeitado a proposta, também apresentada pela CGD, de congelar as remunerações dos administradores da empresa...

Tudo nos conformes, não é verdade?

13 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Tudo previsível! Até quando?

Beijos.

filipe disse...

Práticas correntes de "la famiglia" doméstica, boa discípula do primo Berlusconi.
Abraço.

Maria disse...

Tudo da mesma Família... do padrinho...

Um beijo grande.

Pintassilgo disse...

Mas que família!...

do Zambujal disse...

Como diria um velho (então mais novo do que sou agora) professor meu:

Campeia infrene o maior despudor!

Um abraço

Nelson Ricardo disse...

Tudo nos conformes de uma democracia feita espectáculo de circo dos capitalistas.

Também aqui se vê o trabalho essencial levado a cabo pelos deputados comunistas, verdadeiros respeitadores da Democracia e sua Constituição.

salvoconduto disse...

Melhor não podia ser, uma mão lava a outra, Faria de Oliveira será justamente recompensado.

Ana Martins disse...

Tudo em ordem, se fosse diferente até estranhávamos...

joão l.henrique disse...

Pertencer à Máfia afasta os homens da obediência ás leis da sociedade.

Um abraço.

Fernando Samuel disse...

Graciete Rietsch: até um dia...
Um beijo.

filipe: a famiglia funciona em grande unidade de pensamento e de acção...
Um abraço.

Maria: a verdadeira famiglia...
Um beijo grande.

pintassilgo: uma família às direitas...
Um abraço.

do zambujal: o teu professor até parece que estava a falar desta cambada...
Um abraço.

Nelson Ricardo: os deputados comunistas são a diferença.
Um abraço.

salvo conduto: disso ele pode ter a certeza...
Um abraço.

Ana Martins: ninguém os pode acusar de incoerência...
Um beijo.

joão l.henrique: eles têm a sua «sociedade»...
Um abraço.

samuel disse...

O Coppola deve roer-se todo... por não ter conhecido esta gente antes de fazer os filmes sobre aqueles "escuteiros" do Mário Puzo...

Abraço.

Fernando Samuel disse...

samuel: mas até parece que os conhecia...
Um abraço.

pedras contra canhões disse...

a podridão e corrupção. quando os corruptos mandam na lei...