MÃOS À CARIDADE!

Como o Cravo de Abril na devida altura registou, o Cardeal Patriarca de Lisboa lançou, na procissão do Corpo de Deus, um veemente apelo à ajuda aos que têm fome - e apontou a caridade, perdão: a CARIDADE, como o caminho de Deus para matar a malvada aos muitos milhares que a têm.
Quanto às razões que estão na origem da existência da fome, D. Policarpo não se pronunciou: são razões políticas e, como é sabido, ele e a sua Igreja não se metem em política... a política deles é o trabalho, ou seja, a CARIDADE!...

O Governo Coelho/Portas ouviu, com os seis ouvidos que Deus lhe deu - quatro dos dois primeiros-ministros mais dois do Cavaco- o veemente apelo do Cardeal e toca de roubar 50% do subsídio de Natal a trabalhadores, reformados e pensionistas.
Assim - criando mais fome - a troika Coelho/Portas/Cavaco confirmou a sua caridosa vocação e abriu mais e mais espaço à CARIDADE...

D. Policarpo regalou-se com o roubo no subsídio de Natal de 3 milhões de famílias, certamente vendo nesta obra do Governo sobretudo uma Obra de Deus...
Mais: considerou que, neste tempo de «crise» que vivemos, o roubo é não apenas «adequado e equilibrado», mas acima de tudo, didáctico...
Isto porque o roubo - impedindo que milhões de pessoas comprem as tradicionais prendas de Natal para familiares e amigos - constitui uma caridosa ajuda a esse outro caridoso combate que D. Policarpo vem travando contra o consumismo natalício - e o consumismo é, como sabemos, uma outra preocupação que tira o sono a sua Eminência.

Entretanto, do outro lado da fome e da «crise», há umas dezenas de famílias cujas fortunas, indiferentes à «crise», aumentam e aumentam - e na origem do aumento dessas fortunas está, obviamente, para além da prestimosa obra do Governo, a Suprema Obra de Deus.
Como dizia, no tempo do ditadura, um general fascista brasileiro, também ele grande apologista do divino valor da CARIDADE: «É preciso que os ricos sejam cada vez mais ricos para poderem dar mais esmolas aos pobres»...

Portanto, atingido que está o objectivo maior do Cardeal Patriarca de Lisboa, agora, mãos à Obra!
Que é como quem diz: mãos à CARIDADE!

10 comentários:

Anónimo disse...

A Igreja de mãos dadas com o poder.

Anónimo disse...

Ou será o contrário?
Vitor sarilhos

joão l.henrique disse...

A Igreja deveria apresentar-se pela exigência e respeito dos direitos do homem e não apenas pela defesa da caridade.

Um abraço.

samuel disse...

Vamos brincar à caridadezinha...
A altura é excelente! Os ricos estão cada vez mais ricos... logo, poderão dar melhores esmolas, não é?

Abraço.

Antuã disse...

Onde está o "amai-vos uns aos outros como eu vos amei?"

o castendo disse...

Defender a "ajuda" à pobreza como forma de perpetuar essa mesma pobreza...

Anónimo disse...

"Nós,os ricos,felizmente somos poucos" arrotava um industrial para outro comparsa, no café onde tomava a bica
De CARIDADE fiquei vacinada quando,dos 10 aos quinze anos era obrigada a colaborar na feitura do enxoval para o berço que a mocidade portuguesa feminina oferecia cada natal a uma mãe pobrezinha cá do burgo.Fraldinhas com enfeites,camisinha de rendas e bordados,casaquinho de malha do ponto mais elaborado que houvesse,
touca de pompons,etc,porque era mister entrar no " Concurso dos Berços e Enxovais de Natal".Daí, e não só, me ficou a repugnância por este arremedo de Caridade.Disse. Tó

Fernando Samuel disse...

Anónimo: como sempre... quando o poder é o do grande capital opressor e explorador.
Um abraço.

Vítor sarilhos: também...
Um abraço.

joão l.henrique; dever, devia, mas...
Um abraço.

samuel: nem mais!, aliás, a riqueza só traz vantagens...
Um abraço.

Antuã: isso é conversa...
Um abraço.

O Castendo: e de, assim, perpetuar a exploração causadora da pobreza...
Um abraço.

Tó: esse tempo que parece querer voltar...

GR disse...

Qual caridadezinha?
Fascistas toda a trupe católica, disfarçada de cordeiros.

ESCANDALO da IGREJA CATÓLICA!

Segundo um comunicado do Vaticano, em 2010, a Santa Sé teve receitas de 245,19 milhões de euros e despesas de 235,34 milhões de euros.
Fora do balanço da Santa Sé fica o bolo de São Pedro, que inclui os donativos que o Papa recebe das igrejas de todo o mundo e que chegaram em 2010 aos 41,16 milhões de euros.

(isto são os números que querem que se veja, mas na realidade foi muito, muito mais.)

BJS,
GR

Khe Sanh disse...

Quem dá esmolas humilha quem a recebe.
Nunca a caridade resolveu os problemas da humanidade, apenas alivia situação temporiariamente.

Só a justiça e a inclusão social resolvem os problemas dos mais carenciados.

A igreja e outras associações "dirigidas por pessoas de bem" toda a vida se têm dedicado em distribuir "ajudas" aos mais pobres, no entanto nunca conseguiram irradicar a pobreza.

Fazem-no por duas razões.
Primeiro: para se autopromoverem pessoalmente.

Segundo: nos momentos de maiores crises sociais, têm como objetivo evitar o deflagrar de conflitos.

Qual a razão que faz com que essa gente ao mesmo tempo que anda a distribuir esmolas não tem coragem para denunciar as causas da pobreza e da exclusão?

Não se querem meter em politica? É isso.