EM MAIÚSCULAS

Entre as medidas com carácter de urgência decretadas pela troika ocupante e aceites pela submissa troika colaboracionista, conta-se a revisão do Código do Trabalho - aquela coisa péssima que começou por ser obra do Governo Barroso/Lopes e que, posteriormente, o Governo Sócrates alterou ainda para pior, em ambos os casos em violação da Constituição da República Portuguesa.

À urgência da troika ocupante - que quer que a proposta de revisão seja apresentada até finais de Julho - respondeu o obediente Governo Coelho/Portas com ainda maior urgência: não apenas garante que vai apresentar a coisa no dia 22 de Julho, como vai - ou quer ir - mais longe: quer que o novo Código do Trabalho seja discutido e aprovado na generalidade logo no dia 28.
Com tal urgência, o fiel duo PSD/CDS pretende «dar um sinal positivo de cumprimento do memorando da troika» - para, talvez, receber em troca a festinha e o osso da praxe...

Ora, diz a lei - como justamente sublinhou o Grupo Parlamentar do PCP - que «matéria de legislação laboral não pode ser discutida nem votada antes de decorrido o obrigatório processo de consulta pública», processo esse que «não pode ser inferior a 30 dias», salvo em situações excepcionais, em que esse prazo pode baixar para 20 dias.
Portanto...

Portanto nada: ensaiando algumas retorcidas leituras da lei, os criados da troika ocupante remeteram a decisão final para a presidente da Assembleia da República, que vai consultar a legislação para ver se é possível cumprir a vontade do Governo...

É provável que cheguem à conclusão de que... sim, é possível...
Isto porque a legislação anti-laboral é, para todos os executantes da política de direita, a prioridade das prioridades: roubar direitos aos trabalhadores e às suas estruturas representativas - direitos conquistados à custa de muitas e muitas corajosas lutas - tem sido, em regra, a preocupação primeira de todos os governos da contra-revolução, desde o Governo Soares/PS até hoje.

Aliás, é essa a preocupação primeira de todos os governos ao serviço da classe dos exploradores, classe que não suporta a luta organizada das massas trabalhadoras nos seus sindicatos de classe - e muito menos suporta a existência do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores...

É sabido que, entre as primeiras medidas tomadas por Salazar, estava a imposição do seu Código do Trabalho - que então se chamava, Estatuto do Trabalho Nacional e era inspirado na Carta del Lavoro de Mussolini - ilegalizando os sindicatos representativos dos interesses dos trabalhadores, proibindo as suas formas de luta e criando «sindicatos» respeitadores dos interesses do grande capital, suporte do regime fascista.

Dir-se-á que hoje as coisas são diferentes...
E são, em muitos aspectos.
O que não é diferente é o capitalismo, cuja essência exploradora e opressora não muda nem mudará enquanto ele existir, seja o capitalismo de outrora servido por uma ditadura fascista, seja este capitalismo de hoje servido por esta democracia burguesa - ou ditadura do grande capital, se quisermos utilizar uma formulação mais rigorosa.

Por isso, preparemo-nos para a luta necessária e indispensável.
Tão necessária e indispensável hoje, como o foi no tempo do fascismo.
E com tantas possibilidades de vencer, hoje, a ditadura do grande capital como venceu, então, a antepassada desta...

Estamos fartos de saber - todos - que a luta é o caminho.
Mas não se perde nada em recordar, de vez em quando, essa verdade...
Ela aqui fica: A LUTA É O CAMINHO.

EM MAIÚSCULAS.

11 comentários:

Anónimo disse...

Se tentarem, vão ter o que merecem e quase que aposto que os problemas deste governo vão começar neste capítulo.

Fascismo Nunca Mais!

Antuã disse...

Os bandalhos não têm escrúpulos.

samuel disse...

Eles, mais os comentadores, politólogos e seus derivados... vão todos os dias dizendo (esperançadamente) que não. Que será tudo feito na paz dos deuses.

Abraço.

O Puma disse...

Os espoliados da vida

não podem ficar no silêncio

joão l.henrique disse...

E EM MAIÚSCULAS lutamos e lutaremos!


Um abraço.

Pata Negra disse...

É preocupante a situação económica mas não menos preocupante é que, á boleia dessa situação económica, se aproveitem da fragilidade social para cobrarem direitos históricos adquiridos pela luta e pela razão. Infelizmente, as próximas batalhas não serão pela conquista de direitos mas pela reconquista de direitos! Cá estaremos no Caminho, no deles e no nosso! Caminhando, barricando, travando, puxando, lutando!
Um abraço do Caminho

svasconcelos disse...

E que LUTAS nos esperam!! Serão difíceis, mas o importante é persistir!
beijo,

Graciete Rietsch disse...

Os grandes problemas ainda estão para vir. Vão sendo lentamente anunciados, na tentativa de que as pessoas se habituem ao que,dizem,tem que ser. Mas nem todos entram nesse jogo e a luta continuará. É só deixar passar este tempo a que chamam de férias e então os problemas surgirão em catadupa.
E A LUTA CRESCERÁ!!!!!

Um beijo.

Maria disse...

Estamos prontos. Sempre. E já que este Verão tem andado a fazer fosquinhas, talvez vá aquecer lá mais para a frente... com MAIÚSCULAS e com confiança!

Um beijo grande.

Anónimo disse...

Já agora convém acrescentar com maúsculas o «lixo» que C. Silva e J. Proença destilaram nas "conversas" com o governo.

Anónimo disse...

...e o «lixo» dos comentários do anónimo das 03:43... o cão que te defecou anda à tua procura.