POEMA

PEDRA FILOSOFAL


Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

Eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, infante,
caravela quinhentista,
que é Cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.


António Gedeão

10 comentários:

smvasconcelos disse...

Sem conseguir além de: :)))
Lindo!!
beijo

Maria disse...

Provavelmente o poema mais conhecido de Gedeão.
Belo!

Um beijo grande.

Clube do Gato Bêbado disse...

Adorei!

O sonho é o motor da civilização.

Mário C.

Graciete Rietsch disse...

Quem não conhece este maravilhoso poema de Gedeão? Vamos cantá-lo na festinha de fim de ano lectivo da UPP.

Um abraço.

joven disse...

hi, you have nice blog.. u can view also mine..http://akoniwares.blogspot.com

GR disse...

Lindo poema.
Nunca deixemos de ter, esta vontade de Sonhar!

Bj,
GR

amigona avó e a neta princesa disse...

Lindo! Mas olha ao ler lembrei-me logo do fecho das escolas!
Abraço...

O Puma disse...

Memória viva

Justine disse...

Que bem que o Manel Freire canta este poema belíssimo!

samuel disse...

Um poema, uma música e uma interpretação mágicas!

Abraço.