NUNCA MAIS

Dizem os jornais que o Papa e os seus bispos, nas homilias pascais, não se referiram ao caso dos abusos de crianças por padres, ou seja aos graves casos de pedofilia praticados por elementos do clero e silenciados/abafados enquanto foi possível pela alta hierarquia da Igreja.

Antes assim fosse - isto é: antes não tivessem aludido à questão. Isto digo eu depois de ler estas transcrições da homilia do bispo do Porto:

«Outras palavras, mesmo da última semana, que nos tenham alegrado ou entristecido, já passaram» e «mesmo quando deixam lastro e pontos necessariamente a rever, foram de ontem, de anteontem, de outro tempo já».

Estarei a ler mal ou há nestas palavras uma nítida referência às notícias que, «na última semana» e nas anteriores, revelaram um lodaçal de casos incómodos para a Igreja?
Estarei a ler mal ou há nestas palavras uma nítida confiança em que, com a passagem do tempo, tudo isso será esquecido, tudo isso passará a ser «de ontem, de anteontem, de outro tempo já», e pronto?...


Eu sei que anda por aí muita gente incomodada, zangada, exasperada, com o destaque dado aos abjectos casos de pedofilia envolvendo padres e bispos católicos; e com as críticas ao comportamento da alta hierarquia da Igreja sobre a matéria; e com as exigências de que seja feita justiça, justiça terrena e a sério - e não a justiça do pedido de desculpas e da indemnização para calar...
Mas essa gente terá que ter paciência. E tê-la-á se perceber, de uma vez por todas, que o tempo em que a Igreja, aliada do fascismo, estava, tal como o seu aliado, defendida de qualquer crítica pública, esse tempo acabou já lá vão 36 anos.

É certo que anda por aí muita gente a desejar o regresso desse tempo...
Mas essa gente terá que ter paciência. E tê-la-á se perceber que esse tempo... nunca mais.

10 comentários:

Maria disse...

Ninguém, nem o chefe máximo da igreja católica, deveria estar isento de responder em tribunal por crimes que fez ou ocultou.
Para que NUNCA MAIS!!!

Um beijo grande.

joão l.henrique disse...

Sem fazer juísos de valor, pergunto:
Perante a Lei, não somos todos iguais?

Um abraço

joão l.henrique disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
GR disse...

A desonestidade do Clero é tão grande que um tal Arcebispo Tomasi num comunicado, recupera o termo não utilizado há cerca de 50 anos, explicando que quase não é praticada pedofilia, mas EFEBOFILIA, entre a maioria.
Esclarecendo:
Pedofilia - atracção anormal por crianças de 9 a 10 anos.
Efebofilia - atracção sexual por crianças de 12 a 17 anos.

Não nos podemos esquecer que Ratzinger foi um soldado nazi, com essa gente tudo o que é hediondo é para praticar. Por essa razão e com a conivência do Poder, continuam a roubar, assassinar, violar, mandar abortar. Não! a Lei não é igual para todos!

Bjs,

GR

Por Justiça disse...

"Não nos podemos esquecer que Ratzinger foi um soldado".

Desculpe mas isso é do mais incorrecto e desonesto que há.
Se viveu no tempo do fascismo cá, deve-se recordar muito bem do que foi a mocidade portuguesa certo?
Muitas crianças foram para lá porque é era obrigatorio. nao tinhamos escolha, percebe? foram muitos os que foram sem convicção ou sem saberem verdadeiramente a palermice que aquilo segnificava. era tudo uma farsa do salazar e os homens do regime. e o Papa, que culpa tem ele? foi obrigado como foram outros milhares jovens nazis. e é por isso vamos estar a atirar pedras a ele? é por isso que vamos a pô-lo na lama?
mas claro, já sabemos como sao os comunistas. se tivesse sido a semana a falar mal do PCP, já estariamos aqui a ler "os media dominantes, propriedade do grande capital, que têm o grande inimigo à 36 anos que é o PCP e o comunismo"... blabla, e seria a conversa da tanga do costume. mas como é a Igreja claro aí os media são excepcionais e sao uns amigalhaços.

cumprimentos

samuel disse...

Se o caudal dos protestos, denúncias e sequentes (esperemos!) processos, não baixar nem em número nem em tom... essa gente acabará por perceber. Pelo menos isso!

Abraço.

Graciete Rietsch disse...

Temos mesmo que ter muita paciência pois já lá vão 36 anos sobre a maravilhosa data que devia ter despertado as consciências.
Mas as santas alianças continuam.
A homilia do bispo foi execrável e revoltante.

Um beijo.

MR disse...

O empolamento destes assuntos serve, objectivamente, para desviar as atenções das questões económicas e sociais que, de facto, exigem respostas.
Serve dois propósitos. Um é acentuar as clivagens no seio da sociedade. Outro é realçar, no discurso da hierarquia religiosa, tudo o que não questione o sistema.

CRN disse...

O papa é tão inocente como o seu número 2, esse que decidiu que os crimes cometidos nos estados unidos não derivassem na expulsão e condenação, dos criminosos que pululam por aí ao abrigo da ignorância que a magia (ilusionismo) provoca na mente dos que na realidade são incapazes de identificar a mentira que a frustração lhes oferece como "vida".

Fernando Samuel disse...

Maria: ninguém: dizes bem.
Um beijo grande.

joão l.henrique: deveríamos ser...
Um abraço.

GR: eles são mestres na arte da utilização das palavras...
Um beijo.

smvasconcelos: justiça seria isso. Só que...
Um beijo.

samuel: o que seria óptimo...
Um abraço.

Graciete Rietsch: ter muita paciência e lutar muito.
Um beijo.

MR: também, mas não só...
Um abraço.

CRN: o mundo deles está cheio de... inocentes...
Um abraço.