NÃO HÁ OUTRO CAMINHO

Durante meses, a campanha para a eleição do líder do PSD foi a grande notícia em todos os média (privados e, digamos assim, públicos) - e, naturalmente, o PSD era apresentado como a alternativa ao PS.
Tratou-se de uma poderosa operação de manipulação e falsificação da realidade ao serviço da perpetuação da política de direita que PS e PSD, alternadamente, têm vindo a praticar há 34 anos - uma operação, por isso mesmo, ao serviço da bipolarização do sistema político em torno de PS e PSD.

Depois de eleito, o líder do PSD foi a grande notícia em todos os média (privados e, digamos assim, públicos) - e, naturalmente, o líder foi apresentado como a alternativa a Sócrates no cargo de primeiro-ministro que, alternadamente, tem vindo a ser ocupado, há 34 anos, por dirigentes do PS e do PSD.
O «eleito»e as suas «capacidades» foram projectados às mais elevadas alturas, com todos os média fingindo que não sabiam que a política que ele propõe é exactamente a mesma que PS e PSD, alternadamente, têm vindo a praticar há 34 anos - com esse fingimento propagando a bipolarização PS/PSD.


Esses meses de propaganda desbragada foram, agora, complementados com a inevitável «sondagem de opinião» - que, naturalmente, mostra que o «produto» foi vendido (e comprado...)

«Passos Coelho ultrapassa Sócrates na corrida para primeiro-ministro»: grita o Diário Económico de hoje a toda a largura da sua primeira página.

E apresenta, ainda na primeira página, uma foto de Sócrates/34% e outra de Passos Coelho/40%.

Depois, sempre na primeira página, conclui que «os números da sondagem revelam uma bipolarização do sistema político nacional à volta dos maiores partidos»...

A meu ver, seria errado concluir de tudo isto que o grande capital (proprietário dos média) não quer lá o Sócrates e quer lá o Passos Coelho - aliás, se fosse caso disso, nunca seria por ter perdido a confiança no Sócrates e depositar essa confiança no Passos Coelho, já que, na realidade, o grande capital tem toda a confiança num e no outro - e sabe que seja qual for o que estiver de turno ao governo cumprirá as suas ordens.

Na verdade - e até ver... - esta operação de propaganda cumpriu um objectivo muito caro ao grande capital: espalhar ainda mais a bipolarização espalhando ainda mais a ideia de que o PS e o PSD são alternativa um ao outro e, com isso, procurando garantir, para sempre, o voto maioritário na política de direita - seja ela praticada pelo PS ou pelo PSD.


E não é inocente o facto de a «sondagem» ter sido divulgada na véspera do 1º de Maio...


Face a isto, que fazer?: amanhã, irmos em força ao 1º de Maio; depois de amanhã, continuarmos e intensificarmos a luta de massas.
Não há outro caminho.

9 comentários:

smvasconcelos disse...

Conseguindo garantir o centrão político de há 34 anos, o grande capital suspira de alívio e continua a manejar a sua política de pobreza para os demais.
É importante informar e alertar para o perigo que a perduração deste bloco político acarreta para a maioria de nós!
beijo,

GR disse...

A situação está muito difícil, o cenário PS/PSD repete-se. Uma reviravolta mais para a direita e lá vem o asco do Soares, desta vez ficamos a saber que a crise económica de 83 foi devido ao PREC, então, de mãos dadas com Mota Pinto, Soares, salvou o país tirando aos trabalhadores o parco salário, oferecendo a fortuna dos ricos. Mais uma vez o cenário PS/PSD repete-se.

1º de Maio, vamos dar uma demonstração de força, descontentamento e revolta por estas políticas de direita.
Todos na rua e gritaremos bem alto, A Luta é o Caminho!

Viva o 1º de Maio!

Bjs,

GR

Maria disse...

Com um ou com outro a política é a mesma, já o sabemos. Resta-nos a luta. Que estou confiante vai chamar à rua mais trabalhadores, daqueles que nunca saíram mas que agora têm 'as barbas de molho'...

Beijos muitos. Cheios de Maio e ainda de Abril.

Medronheiro disse...

A luta e a resistência terão que ser permanentes.

Fernando Samuel disse...

smvasconcelos: é necessário... mudar de vida.
Um beijo.

GR: vamos a isso!
Um beijo de Abril/Maio.

Maria: e é bem necessário que assim seja.
Um beijo do tamanho de Abril e Maio.

Medronheiro: só assim lá chegaremos...
Um abraço.

Graciete Rietsch disse...

Em Maio vamos lutar pela reconquista de Abril.

Um beijo.

Fernando Samuel disse...

Graciete Rietsch: Abril e Maio, a mesma luta...
Um beijo.

Nelson Ricardo disse...

Lá no fundo, a democracia é muito incomodativa para o Capital e eles lá tentam "aligeirá-la" com sondagens.

Fernando Samuel disse...

Nelson Ricardo: as sondagens são um importante instrumento de influenciação do sentido de voto dos eleitores...
Um abraço.