POEMA

HÁ DIAS


Há dias em que julgamos
que todo o lixo do mundo nos cai
em cima. Depois
ao chegarmos à varanda avistamos
as crianças correndo no molhe
enquanto cantam.
Não lhes sei o nome. Uma
ou outra parece-se comigo.
Quero eu dizer: com o que fui
quando cheguei a ser
luminosa presença da graça,
ou da alegria.
Um sorriso abre-se então
num verão antigo.
E dura, dura ainda.


Eugénio de Andrade
(«Os Lugares do Lume» - 1998)

7 comentários:

Maria disse...

E durará...
Obrigada pelo sorriso que me sacaste com este poema.

Um beijo grande

smvasconcelos disse...

É o triunfo da memória, resgata e perdura o melhor do fomos, e do que somos.
beijos

samuel disse...

Ai de quem já não tem vanrandas onde se rever... quando chegou a ser luminosa presença da graça, ou da alegria...

Abraço.

amigona avó e a neta princesa disse...

E irá durar - sempre! Uma braço e boa semana...

Fernando Samuel disse...

Maria: um beijo grande.

smvasconcelos: na memória da infância está o melhor de nós?...
Um beijo.

samuel: há sempre uma janela, um postigo que seja...
Um abraço.

amigona avó e a neta princesa: sempre!
Um beijo.

Ana Camarra disse...

È nessas recordações que nos aquecemos nas noites frias e nos dias sombrios.

beijo graaaaaaaaaaande

Fernando Samuel disse...

Ana Camarra: e se elas são importantes!...

Um beijo graaaaaaaaaaande.