ARY SEMPRE!

A Revolução de Abril estava à beirinha de comemorar o seu 20º aniversário, quando o seu Poeta morreu: no dia 19 de Janeiro de 1984. Há 25 anos.
Nunca um Poeta teve tanta gente a acompanhá-lo no dia da sua morte.

«O corpo do Poeta ficou em câmara ardente na Sociedade Portuguesa de Autores e, durante toda a noite, uma fila ininterrupta de pessoas desfilou junto à urna, sobre a qual, de acordo com a sua vontade, fora estendida a bandeira do Partido - a bandeira comunista, que ele cantara em versos carregados de futuro, por ocasião do ataque terrorista ao Centro de Trabalho do PCP, em Braga».



A BANDEIRA COMUNISTA


Foi como se não bastasse
tudo quanto nos fizeram
como se não lhes chegasse
todo o sangue que beberam
como se o ódio fartasse
apenas os que sofreram
como se a luta de classe
não fosse dos que a moveram.
Foi como se as mãos partidas
ou as unhas arrancadas
fossem outras tantas vidas
outra vez incendiadas.

À voz de anticomunista
o patrão surgiu de novo
e com a miséria à vista
tentou dividir o povo.
E falou à multidão
tal como estava previsto
usando sem ter razão
a falsa ideia de Cristo.

Pois quando o povo é cristão
também luta a nosso lado
nós repartimos o pão
não temos o pão guardado.
Por isso quando os burgueses
nos quiserem destruir
encontram os portugueses
que souberam resistir.

E a cada novo assalto
cada escalada fascista
subirá sempre mais alto
a bandeira comunista.




Dia 4 de Dezembro, às 21H30, no Coliseu, em Lisboa

Homenagem do PCP ao Poeta da Revolução,
no 25º ano sobre o seu desaparecimento.

Espectáculo com Carlos do Carmo.


ARY SEMPRE!

11 comentários:

Maria disse...

Agora um arrepio percorreu-me o corpo. Pela memória do que foi aquele dia (e aquela noite) passada na SPA, pelo Poema, por Tudo!

Lá estaremos no dia 4!

Um beijo. Grande.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Ary, Ary, nós os que desejamos um mundo sem amos, sem exploração e com alegria, não te esqueceremos e na nossa luta, no nosso pensamento, no nosso dia a dia, teremos sempre connosco a BANDEIRA COMUNISTA.

smvasconcelos disse...

Adoro este poema!!

Também conto estar lá dia 4, mas, estando longe, como posso comprar o bilhete? No centro de trabalho Vitória reservar-me-iam o bilhete até dia 2?
Se alguém mo pudesse dizer atempadamente...
obrigada.
beijos,

Antuã disse...

Quanto mais alto subir a bandeira comunista mais alto sobe a liberdade dos povos.

samuel disse...

Há quem não queira... mas o Ary é grande!

Abraço.

Hilário disse...

ESPERO ESTAR EM LISBOA NO DIA 4 DE DEZEMBRO.
Um Abraço

CRN disse...

Grande poema, maior poeta, imenso ser humano. Sou suficientemente ignaro de palavras para poder transmitir o que penso sobre a obra do Ary. Confio que o Fernando não se importe que deixe aqui como cantaram a sua própria forma de estar, essa, corajosa.

http://www.youtube.com/watch?v=ONIaa8_oyr0

Um abraço

pintassilgo disse...

Venceremos com as armas que temos na mão.

Fernando Samuel disse...

Maria: a chuva caía, caía... das nuvens, dos nossos olhos...
Um beijo grande.

Graciete Rietsh Monteiro Fernandes: essa bandeira que subirá sempre mais alto...
Um beijo.

smvasconcelos: o sítio do Partido tem indicações sobre isso.
Um beijo.

Antuã: eis uma grande verdade.
Um abraço.

samuel: e quanto mais não querem... maior ele é.
Um abraço.

Hilário: lá estaremos.
Um abraço.

CRN: não só não me importo como agradeço.
Um abraço.

Pintassilgo: Venceremos!
Um abraço.

Ana Camarra disse...

Fernando

Provavelmente não vou poder estar, mas tenho outra coisa, conheço os seus poemas, trateio imensas canções recheadas com as suas palavras, e cá dentro de mim ele não morreu.

beijo

Fernando Samuel disse...

Ana Camarra: isso eu sei, mas tenho pena se não fores...

Um beijo.