COMÉDIA EM CINCO ACTOS

«Arquive-se!» é uma das palavras-chave da justiça no reino da política de direita.
Tamanha é a frequência com que a palavra é utilizada que dela se pode dizer que é uma espécie de menina-dos-olhos da referida justiça no referido reino.
Tão extenso é o rol dos arquivamentos e tão caricatas as justificações apresentadas que, por vezes, fica a ideia de estarmos a assistir à representação de uma comédia.

Agora foi em Sintra - e a comédia desenrolou-se em cinco actos.
Assim:

1 - a obra do Palácio da Justiça de Sintra foi adjudicada ao Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (IGFIJ), por 24 milhões de euros - com a condição imperativa de ser executada no prazo de 600 dias, ou seja, de estar pronta em Novembro de 2003;

2 - a obra só foi concluída em Janeiro de 2005 - portanto mais de 400 dias depois do prazo estabelecido - e com o custo final de 35 milhões de euros - portanto mais 11 milhões de euros do que o custo estabelecido.

3 - um ex-dirigente do IGFIJ informou o Tribunal de Contas sobre anomalias várias naquele e noutros processos em que o IGFIL estava envolvido.

4 - o Tribunal de Contas investigou e confirmou a existência de anomalias várias, designadamente, «duplos pagamentos e outras irregularidades fraudulentas no valor de 4 milhões de euros».

5 - o Ministério Público decidiu-se pelo «arquivamento do processo, alegando que os auditores elaboraram o relatório sem terem ouvido o IGFIJ que era o dono da obra».

Devemos rir?
Devemos chorar?
Ou devemos........?

9 comentários:

Maria disse...

A última hipótese.
Mais uma vergonha...

Um beijo grande

samuel disse...

Ah, devemos, devemos!... Mesmo cedendo à tentação de antes rir e chorar um pouco... devmos!

Abraço.

salvoconduto disse...

Devemos, devemos! Mandá-los... Tu sabes para onde.

Antuã disse...

Devemos mandá-los para a prisão.

CRN disse...

A revolução será o fim do imperialismo, mas não surgirá de forma espontânea.
Até lá, devo reunir-me com outros músicos e formar uma orquestra, mas sem nunca deixar de tocar.

A revolução é hoje!

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Devemos desmascarar como aliás sempre temos feito. Mas onde está a nossa base de apoio que reclama, reclama e parece não nos ouvir?
Um beijo.

amigona avó e a neta princesa disse...

DENUNCIAR! Sempre!
Um abraço...

smvasconcelos disse...

Isto ultrapassa a minha compreensão...É inacreditável
Fernando Samuel, chorar só pelo que me comove, rir só com o que acho graça, pelo que... Sim,vou pela 3ª opção: devemos!!!!Porque isto também supera qualquer aceitação.
beijo,

smvasconcelos disse...
Este comentário foi removido pelo autor.