POEMA

VIAGEM ATRAVÉS DE UNS CABELOS TODOS BRANCOS



Estamos a vê-lo todos e sabemos.

Foram anos de fome, quantas vezes
à beira dos mercados e das feiras.
Foram anos com o perigo a escorrer das paredes.
Foram anos de todas as esquinas vigiadas.
Anos de encontros mais cronometrados
do que o fio-de-prumo sobre a lâmina.
Foram anos eternos de prisão
numa ilha de mar, de guardas, de muralhas
e de silêncio com o olhar feroz
de grades sobre o dia.

Foi toda a vida com o coração
sem nunca se esquecer por que batia.


Mário Castrim

15 comentários:

samuel disse...

Foi como tinha que ser!
Foi como devia ser!
Foi como quis ser!

abraço.

GR disse...

Tanta incorruptibilidade, coerência e honestidade pela luta que encetou, os Resistentes!
Poema lindo e comovente.

Bjs,

GR

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Foi por haver tantos que nunca esqueceram a razão pela qual os seus corações batiam que aconteceu um 25 de Abril. Por muito que tentem "não voltaremos atrás". A luta continuará.
Beijos.

CRN disse...

Cabelo branco que realmente é transparente, como a corajosa vontade para a que não existe mordaça!

A revolução é hoje!

smvasconcelos disse...

" Foi toda a vida com o coração sem nunca se esquecer por que batia".
Linda , esta viagem à memória "de uns cabelos todos brancos".

beijos,

Maria disse...

Cabelos todos brancos, de prata. E um coração de oiro... que batia pela liberdade de todos...

Um beijo grande

CRN disse...

Aqui o golpe, preparado em 99!

Anónimo disse...

Camarada,

Não te conheço, não sei quem és, nem tão pouco, confesso, conhecia o teu blog, mas chegou a mim, através de uma camarada, a história do Manel...

Um dos mais bonitos e comoventes textos que li...

Queria apenas agradecer-te em nome de todos os jovens, em nome de todos os Comunistas, em nome da Humanidade!

O meu eterno obrigado pelo texto e acima de tudo por fazeres a Festa 1000 vezes mais bonita com a presença do Manel...

Fraternamente,

Ivo Serra

Ana Camarra disse...

Fernando Samuel

Pois, foi como tinha de ser, é como tem de ser, sabemos que terá de ser assime que não é em vão!

beijos

poesianopopular disse...

Viagem pura e dura
por vezes até tenebrosa
Pelos trilhos da ditadura
Com saída gloriosa.
Abraço grande

J.S. Teixeira disse...

Militantes do PS Seixal agridem e ofendem humoristas "Homens da Luta" na visita "relâmpago" de Sócrates ao Seixal. Conheçam os detalhes no blogue O Flamingo.

duarte disse...

Para nunca esquecermos
a cada pulsar, o sangue aviva o corpo, irriga o cerebro, e assim ESTAMOS E ESTAREMOS.
belo.
abraço do vale

Hilário disse...

Continuaremos sempre os seus passos.

A luta continua!
Um Abraço

Ivo Serra disse...

Liberdade
“Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte.
Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.
Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.
E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome”

Carlos Marighella

Fernando Samuel disse...

Este é o último poema dos escolhidos para esta homenagem do Cravo de Abril a Mário Castrim.

Para todos e todas que, ao longo destes dias, por aqui passaram... abraços e beijos.

Segue-se um ciclo de poemas de Jorge de Sena.