POEMA

CADASTRADO


Uma vez, aos sete anos,
partiu à pedrada a lanterna da porta da igreja.

Dez anos depois, conduzindo um carro,
não parou num cruzamento de rua
onde havia um sinal de stop.

Dois anos depois, teve uma briga
num bar, e partiu a cabeça de um amigo
com uma garrafa de cerveja.

Quando se recusou a combater no Viet-Nam,
o seu cadastro provava como desde a infância,
sempre manifestara sentimentos
nitidamente de traidor à pátria.


Jorge de Sena

10 comentários:

vovó disse...

claro.
também, sem comentários.

beijocassss
vovó Maria

CRN disse...

Quantos "Pàstiures" existem nesse mundo de covardes?

Um Abraço

smvasconcelos disse...

É a dedução e raciocínio inteligente "à americana"...

Jorge de Sena!! - Que bom!:))

beijos,

samuel disse...

E então?! Não se estava mesmo a ver...

Abraço.

duarte disse...

o homem começa pela igreja(sacrilégio), ataca os códigos da estrada(maus caminhos) parte a cerveja americana nos testos de outro americano(duplo sacrilégio) é claro que não vai combater pela pátria que o pariu!......eheheh
gostei.
abraços patrióticos do vale

GR disse...

Como diria um yankee;
Desde muito jovem demonstrou ser um perigoso terrorista!

Grande poema!

Bjs,

GR

anamar disse...

Gostei..
:))

Maria disse...

Naturalmente (!!??) assim é entendido!

Um beijo grande

Justine disse...

Nitidamente!!

Fernando Samuel disse...

Vovó Maria: mais uma vez: palavras para quê?...
Um beijo.

CRN: muitos, certamente...
Um abraço.

smvasconcelos: sim, muito ao estilo lá da casa...
Um beijo.

samuel: não podia ser de outra forma...
Um abraço.

duarte: com um percurso desses que outro fim poderia ter...
Um abraço.

GR: o «mal» começa à nascença...
Um beijo.

anamar: um beijo amigo.

Maria: quem é que pode duvidar?...
Um beijo grande.

Justine: claríssimamente!
Um beijo.