A CDU AVANÇA

A CDU aumentou em número de votos e de deputados e em percentagem.
Aumentou pouco. Mas aumentou.
Queríamos e merecíamos mais votos, mais deputados e mais percentagem?: claro que queríamos e, sobretudo, merecíamos. Mas esse querer e esse merecer não correspondidos, de forma alguma anulam o carácter positivo do resultado obtido - um resultado que confirma o crescimento sustentado registado nos sucessivos actos eleitorais dos últimos anos.
E esse é um dado fundamental a ter em conta.
Razão tinham, por isso, os activistas da CDU que ontem à noite, no Centro de Trabalho Vitória, gritavam: a CDU avança com toda a confiança.

Os comentadores do costume, fartaram-se de badalar sobre a «queda para 5º lugar», apresentando-a como uma tragédia para a CDU.
Como esses comentadores sabem - mas não querem que se saiba... - não é tragédia nenhuma. Nem deve ser, sequer, motivo de apreensão: a meu ver, tal «queda» só seria motivo de apreensão se ela resultasse da perda de eleitorado da CDU para os partidos que ficaram em 3º e 4º lugares. Ora isso, não só não não aconteceu como, pelo contrário, a CDU aumentou a sua votação.

O PS teve uma quebra acentuada em relação às últimas legislativas, uma quebra que, significativamente, lhe retirou a maioria absoluta - no entanto, ouvindo e vendo, ontem, Sócrates e outros dirigentes do PS, dir-se-ia que acontecera o contrário do que aconteceu...
O PSD/Manuela Ferreira Leite portou-se mais ou menos à altura do PSD/Santana Lopes - e com isto se diz tudo.
O CDS/PP e o BE registaram assinaláveis subidas - surpreendentes, talvez, no primeiro caso, muito aquém das previsões no caso do BE.

Avaliando estes resultados, poder-se-á dizer, como me disse um amigo (membro do PS) em mensagem que hoje recebi, que eles traduzem uma viragem eleitoral à esquerda?
Nem de longe nem de perto.
Aliás, não percebo que contas podem levar a tal conclusão - e muito menos percebo e aceito que, para que essas contas dêem certas, se considere o PS um partido de esquerda, quando, na realidade, ele há muito que deixou de ser um partido de esquerda (se é que alguma vez o foi).
Pergunto: como é possível considerar de esquerda um partido que é, há 33 anos, o principal protagonista da política de direita e o líder assumido da contra-revolução?


E agora, como vai ser?
Veremos...
O PS perdeu a maioria absoluta mas, estou em crer, não lhe hão-de faltar apoios parlamentares, às claras ou camuflados, para continuar a política de direita...
É certo que os deputados que elegeu não dão para, acrescentando-lhe os do BE, levar por diante uma política de direita com pequenos retoques de esquerda...
É certo, também, que com o CDS/PP há deputados que cheguem para o PS/Sócrates continuar no velho «rumo» seguido até aqui - e um casamento entre os dois não seria mais do que a repetição de uma boda de ambos conhecida...

Uma coisa é certa, no entanto: por parte das forças que integram a CDU - com destaque para o PCP - a luta contra a política de direita vai prosseguir.
E mesmo sendo esta uma conclusão que podíamos ter tirado ontem, antes da contagem dos votos, não deixa de ser relevante reafirmá-la de forma inequívoca um dia após as eleições.
Para que conste...

Entretanto, já estão aí as autárquicas, a exigir-nos muito esforço, muita dedicação, muita militância, muita confiança - condições indispensáveis para, no dia 11 de Outubro, darmos mais força ao trabalho, à honestidade e à competência dos eleitos da CDU no poder local.

14 comentários:

poesianopopular disse...

Mãos à obra camaradas, -a razão pode demorar, mas, acabará por chegar!
Os vendedores de sonhos têm os dias contados, porque os milágres e as bruxarias, cada vez resultam menos.
A auto-estrada do futuro,-é a CDU!
Abraço

filipe disse...

Penso que disseste tudo o que é essencial dizer, no dia de hoje.
E, a luta continua!
Forte abraço.

Miguel disse...

O que mais me surpreendeu foi sem dúvida a subida do CDS.

A CDU subiu em percentagem, em votos absolutos e em um mandato. Foi bom, sim, mas um pouco aquém do que eu esperava. Não deixemos contudo que nem a subida de votos, nem o factor "parente pobre da comunicação social", apesar de ter sido muito óbvio nesta campanha, nos impeçam de nos debruçar sobre o que poderia ser melhorado ou que estratégias teremos que seguir para contrariar a tendência que os votos do PS, PSD e da abstencão têm para ir cair mais no BE e, mais grave que isso, no CDS.

Abraços

samuel disse...

Na mouche... ponto por ponto.

Abraço.

Anónimo disse...

pois é, pois é. vomita-se mal dos outros, mas voces passaram de 3ª força para 5ª força. e depois tira-se a culpa para outros, normalissimo.
ja chega dessa mania de superioridade moral sobre os outros. respeitem a vontade do povo. que o PCP seja menos orgulhoso e reflita nesta DERROTA.
ate um partido com 10 anos ultrapassa o PCP.

J.Z.Mattos

CRN disse...

Fernando,

Um pouco como a tendência que se tenta, mais que impôr, injectar aos povos do mundo, muitos Portugueses dão mais crédito aquilo que se possa parecer que ao que realmente se demonstra ser. Nesse sentido, o próprio nome do aglomerado de corja neo-liberal capitaneada pelo - aparentemente engenheiro - sócrates, para a população manipuladamente desinformada, é de esquerda.

Vamos ver que posição adopta a dita direita que nos transportaria, argumento de campanha do ps, ao tempo de salazar, quando se proponham a aprovar o orçamento de estado.

A revolução é hoje!

Maria disse...

Exactamente a análie que eu esperava ler aqui.
Tenho uma enorme preocupação: o aumento do CDS, em legislatura de revisão constitucional.
Ontem, à saída da assembleia de voto, depois de tudo contado - o que me deu a imagem do que viria a ser a nossa posição - alguém me perguntava: e a excelente campanha que fizeram? E as pessoas na rua? E os 7 mil no Campo Pequeno? Ainda que fossem 70 mil no Campo Pequeno em nada alterariam o resultado... não dependeu de nós!

Um beijo grande

O Puma disse...

A luta continua

Hilário disse...

FERNANDO,

Estou um pouco preocupado com a votação do PP, mas a luta continua.
Um Abraço

F. disse...

Não deixa de ser um pouco frustrante, após estes anos de intensa luta social, que o PS não tenha sido ainda mais castigado.

Não pode deixar de ser um motivo de reflexão, as dificuldades do Partido em capitalizar eleitoralmente a contestação social ao governo e às suas políticas de direita, contestação essa que muitas vezes liderou!

Para todos os efeitos, no meio da maior crise económica e social dos últimos 25 anos, a CDU apenas consegue subir uns 15.000 votos. E isso não pode ser assim tão bom. Desculpem, mas é a minha opinião.

smvasconcelos disse...

Uma análise completa, que subscrevo inteiramente.
E por ser o "dia seguinte", só nos resta continuar a trabalhar "com toda a confiança". E Lutar, lutar sempre!!
um beijo.

Fernando Samuel disse...

poesianopopular: serenamente, continuemos a lutar.
Um abraço.

filipe: a luta continua: com todo o profundo significado que esta palavra de ordem encerra.
abraço grande.

Miguel: muito aquém do que eu desejava...
Quanto às tuas observações, totalmente de acordo.
Um abraço.

samuel: um abraço.

J.Z.Mattos: pois.

CRN: a ideia, profundamente errada e perigosa, de que o PS é um partido de esquerda, é aceite até por gente de... esquerda...
Um abraço.

Maria; fizemos tudo o que dependia de nós: por isso não só não baixámos como subimos um pouco.
Um beijo grande.

O Puma: essa é a grande certeza!
Um abraço.

Hilário; e há razão para preocupação vendo o aumento de um partido profundamente reaccionário e com iniludíveis traços fascizantes.
Mas é como dizes: a luta continua!
Um abraço.

F.: a influência social de um partido comunista é sempre muito superior à sua influência eleitoral - e mais ainda quando a burguesia cria organizações que têm como objectivo essencial impedir a capitalização eleitoral do descontentamento.
Um abraço.

smvasconcelos: lutar sempre, até à vitória final.
Um beijo.

CRN disse...

Não deixa de ser estimulante perceber que o povo Português é de esquerda, ainda que falto de esclarecimento; manipulado; amedrontado, outra coisa é que o partido socialista o seja.
No relativo ao esquerdismo, é um mal que prolifera, mesmo certos partidos comunistas, como o francês ou mesmo o italiano, padecem dessa doença.
Nós somos como somos e queremos continuar a ser.

Um abraço.

Anónimo disse...

Penso que o Sérgio Ribeiro vai escrever, de forma directa ou indirecta sobre a "insuficiencia da vitória" e, mais tarde trocaremos ideias sobre os resultados destas eleições AR/2009,as suas causas e consequencias; há questões interessantes: trabalho de massas e consciencia eleitoral e política,a ficção da "unidade" do PS e a sua"vitória de Pirro", o desastre que é a MFLeite o CDS vertiginoso(no sentido de criar vertigens, o BE das tres facções, etc. Mas, para já temos a interessante batalha das autárquicas.
JSSS