A FORÇA DO «DINHEIRO FORTE»

A propósito da «vigilância» - ou não? - exercida pelo Governo sobre a Presidência da República - caso que, como incisivamente acentuou o Cantigueiro, seja quem for que tenha razão, constitui «um lamaçal de contornos algo porcos» - pronunciou-se, de dedo em riste, o dono do Público, Belmiro de Azevedo.

Belmiro ordenou à «equipa do jornal que não se deixe assustar por opiniões um bocado desastradas de alguns governantes que querem mandar no Público sem pôr lá dinheiro forte».
Ora, quem põe lá «dinheiro forte» é ele, Belmiro, como toda a gente sabe - e a bom entendedor duas palavras bastam: dinheiro forte...

Na passada e por dever de ofício, Belmiro acrescentou que o que deseja é que « o Público passe a ganhar dinheiro».
Mas, atenção!, que ganhe dinheiro mantendo «sempre a mesma linha editorial, isto é, com independência» - assim deixando claro que a prioridade das prioridades não é «ganhar dinheiro», mas ter um jornal ao serviço dos seus interesses.
E não se pode ser mais claro quando se chama a isso «independência»...

Finalmente - e não sei se com tremidos de voz - Belmiro declamou que «a liberdade de imprensa é um bem muito mais importante do que uma disputa eleitoral».

E lendo isto, veio-me à memória aquela frase de um outro Belmiro que explicitava assim a liberdade de imprensa existente no jornal de que era proprietário:

«No meu jornal, os jornalistas têm toda a liberdade de escrever o que eu penso».


Como se vê, o «dinheiro forte» tem muita força...

9 comentários:

poesianopopular disse...

Por enquanto camarada, por enquanto!
Abraço

Nelson Ricardo disse...

Por curiosidade, quem disse essa última frase?

samuel disse...

No caso de Belmiro... esse tem coisas ainda mais fortes do que dinheiro. Forte falta de vergonha na cara, forte falta de escrúpulos... daí talvez, tanto dinheiro forte.

Abraço.

Membro do Povo disse...

Mais uma vês se confirma: a democracia só é "democrática" quando convém: Faz lembrar o "Felizmente há luar" - a terra é nossa em tempo de guerra, e dos senhores no tempo do cultivo. Assim, nada mais importante que a liberdade de imprensa excepto quando vem o tempo do despotismo patronal!

Maria disse...

Até um dia. Só até um dia...

Um beijo grande

filipe disse...

Na Venezuela antes e agora na Argentina - por decisão de uma presidenta insuspeita de ser comunista... - avançam iniciativas legislativas contra os potentados dos grandes médias locais. Nessas iniciativas, devidamente contextualizadas, não haverá algo inspirador e que nos seja útil, para lançarmos uma campanha política sobre o tema no nosso país? Este combate pela liberdade de informação, nos dias de hoje, tornou-se sem dúvida uma prioridade para a intervenção dos democratas, em qualquer parte do mundo.
Um abraço.

Antuã disse...

O Belmiro é forte em tudo o que há de sórdido.

Dinheiro disse...

Parabens pelo artigo!

Dani Edson

Fernando Samuel disse...

poesianopopular: o futuro é nosso!
Um abraço.

Nelson Ricardo: a frase é de um proprietário de um jornal britânico.
Um abraço.

samuel: é contra essas forças todas que a nossa luta se desenvolve - e é por isso que a nossa luta é difícil.
Um abraço.

Membro do Povo: bem observado!
Um abraço.

Maria: um dia que chegará, mais tarde ou mais cedo.
Um beijo grande.

filipe: concordo contigo: creio que não estamos a dar a devida resposta colectiva à desinformação organizada (de classe), que se esconde por detrás da muito apregoada «liberdade de informação»...
Um abraço.

Antuã: por isso diz o que diz...
Um abraço.

Dinheiro: Um abraço.