POEMA

OS PRAZERES DA JUVENTUDE


Ao fim de 24 jogos perdidos,
o time ganhou o desafio.
O público inundou o campo, desceu à cidade,
e durante horas interrompeu o trânsito, bebeu na rua,
quebrou montras, partiu mesmo os faróis dos carros
da polícia que, risonha, comungava
naquele entusiasmo regional e jovem
por um triunfo tão longamente ansiado.

Uma centena de pessoas manifesta-se na rua
(contra uma «vitória» que não se vê no Viet-Nam),
e os cacetes desabam, a prisão enche-se,
porque interromperam o trânsito, incitaram à desordem,
e resistiram malignamente à autoridade
que os mandou dispersar.


Jorge de Sena

6 comentários:

samuel disse...

Isto sem Viet-Nam... é praí na Avenida dos Aliados, não?
No dia seguinte à festa do FCP, uns quisquer sindicalistas ou estudantes, não se ponham a pau, não... :-)))
Vou para lá daqui a umas horitas.

Abraço.

F. disse...

Camaradas:

Eu cá sou um gajo que não tem PPRs.

Por outro lado, também não participei no saque das privatizações da empresas públicas.

Desculpem o desabafo, mas estou a rebolar-me de riso: ah, ah, ah, ah, ah!

A máscara dos moralistas pequeno-burgueses está a cair com uma facilidade espantosa...

ah, ah, ah, ah, ah, ah!

Eu sei: não devia ser tão sectário, mas que querem? Só me apetece rir... pra não chorar!

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes disse...

Excelente e bem significativo este poema. Sabes que uma minha filha foi perseguida e por pouco não apanhou uma paulada só por dizer que estava ali pelo 25 de ABRIL e não porque o PORTO( futebol claro) ganhou o campeonato? Beijos.

Ludo Rex disse...

Sempre em Luta!
Abraço

Maria disse...

E como eu gosto de fazer parte da centena que luta...

Um beijo grande

Fernando Samuel disse...

samuel: pode ser em qualquer sítio - do continente e das regiões autónomas...
Um abraço.

F: se não tens ppr nem compraste acções das empresas privatizadas... então não és do BE...
Um abraço.

Graciete Rietsch Monteiro Fernandes: defender o 25 de Abril é um verdadeiro acto de terrorismo...
Um beijo.

Ludo Rex: todos os dias!
Um abraço.

Maria; a centena será... milhões...
Um beijo grande.