A BATALHA NAVAL

Procuradores do Ministério Público procederam a buscas em três escritórios de advogados, à procura de provas sobre o negócio da compra dos dois submarinos, feita pelo então ministro da Defesa, Paulo Portas - que foi um dos grandes vencedores das eleições de domingo passado e, por isso, sabe-se lá se futuro ministro outra vez...

Registe-se o pormenor curioso que é o de um destes escritórios de advogados - Vieira de Almeida & Associados - já ter sido objecto de buscas semelhantes no âmbito do caso Freeport - o que pode indiciar uma, digamos assim, vocação do dito escritório para este tipo de... buscas...

Nas buscas a estes três escritório, os procuradores procuravam o rasto dos 30 milhões de euros que o negócio dos submarinos de Paulo Portas rendeu a alguém - que eu juro não saber quem foi.

A notícia não diz se os procuradores encontraram ou não o rasto que procuravam - se é que os 30 milhões deixaram algum rasto fosse onde fosse, já que este pode muito bem ser um daqueles casos de que é uso dizer-se: desapareceu sem deixar rasto...

Assim, tudo indica estarmos perante uma divertida batalha naval - mais divertida ainda, agora que entrou em cena o Bastonário Marinho Pinto, o qual, com uma saraivada de disparos parece ter passado ao lado dos dois submarinos e ainda mais ao lado dos 30 milhões.
Disse o Bastonário, irado, que as buscas realizadas pelo Ministério Público são «terrorismo judicial».
Porquê?: porque, explica o Bastonário, «é absolutamente ilegal ir aos escritórios para procurar elementos para incriminar os clientes» - explicação que, ou muito me engano ou quer dizer que «os escritórios» são, ou devem ser, locais seguros para todas as eventuais negociatas dos «clientes»...

8 comentários:

samuel disse...

O bastonário é doido! Ou pelo menos quer que se pense isso...

Abraço.

poesianopopular disse...

Este bastonário, tem muita parra, e pouca uva!
Cada época tem o seu bastonário, o seu presidente, o seu 1º ministro, mas desta vez foi o trêz em um!
Abraço

Antuã disse...

Estamos tramados. as mafias estão todas no poder. Mas cá estamos para os meter na ordem.

Maria disse...

Não deixa de ser curioso que se pegue novamente neste assunto logo a seguir às eleições...
(entretanto o freeport está em estado letárgico.)

Um beijo grande

Anónimo disse...

É claro que há advogados e... advogados; uns dedicam-se mais "à política" (os tres primeiros da lista do PS para a Camara Municipal do Seixal são advogados à procura de ... protagonismo), outros pertencem aos grandes escritórios, sempre estudiosos e conselheiros de grandes causas, formuladores de sabichões pareceres que, com princepescos honorários, muito ajudam à governação deste País e às grandes empresas que classistacamente se fundem e corporizam o essencial da dimensão capitalista do Estado. Abençoado advogado o meu que só me trata do divórcio, é curioso da comunicação social e um engenhoso participante e defensor de causas públicas.
JSSS

Pedro Namora disse...

Ao contrário do que possa aparentar, o bastonáro está sempre do lado "certo", o dele: no processo Casa Pia, esteve ao lado dos arguidos poderosos, no caso Freeport, é o que se sabe e agora mantém a mesma linha. Se a tudo isto adicionarmos demagogia q.b., obtemos um homem que não dá um passo sem previamente saber os terrenos que pisa. É o verdadeiro artista. Claro que ele sabe que os escritórios de advogados podem ser alvos de buscas desde que se preencham os requisitos legais. Mas tinha que armar foguetório.
Este caso é irmão gémeo do Freeport e o que é verdadeiramente revelador do sistema mafioso em que vivemos pode ser avaliado pelo facto de a magistratura ter decidido adiar as referidas buscas para depois das eleições passadas, para não prejudicar eleitoralmente o paulinho das feiras

Hilário disse...

O Bastonário está a queimar os últimos cartuchos.

Abraço

Fernando Samuel disse...

samuel: de duas, uma...
Um abraço.

poesianopopular: é muita... coisa junta.
Um abraço.

Antuã - tramados e bem tramados...
Um abraço.

Maria: um dia destes... arquiva-se tudo, e pronto...
Um beijo grande.

Anónimo: abençoado, sem dúvida...

Pedro Namora: a magistratura está bem sintonizada com o sistema...
Um abraço.

Hilário: também é verdade...
Um abraço.